Rua de Cima do Muro da Trindade. (Porto)

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

aqui falamos, embora sumariamente, desta antiga e desaparecida artéria. 
A Rua de Cima do (ou de) Muro da Trindade, foi uma artéria existente, onde hoje se localiza a Rua dos Heróis e Mártires de Angola, junto ao edifício da Ordem da Trindade, no centro do Porto. 
Era uma rua bastante estreita, como podemos observar nos clichés.
Igreja da Trindade por volta de 1900. Cliché in AMP
Igreja da Trindade. Vista aérea. Vemos a desaparecida Rua de Cima do Muro
Rua de Cima do Muro da Trindade. Na esquerda vemos o edifício da Ordem
 Escadaria em granito, de acesso aos antigos edifícios
 Esquerda da imagem: Escadaria e edifícios actualmente demolidos
Direita da imagem: Vista parcial do edifício da Ordem da Trindade
Evacuação dos habitantes para serem realojados em novos bairros
 Entrada da rua, junto à igreja da Trindade, parcialmente visível à direita
 Vista parcial da igreja da Trindade. Na esquerda vemos a desaparecida artéria
 Vista parcial do largo da Trindade e do edifício camarário
Fotografia aérea da cidade do Porto: 1939-1940. Entre muitos pormenores salientemos: O edifício branco na base da imagem é a Câmara Municipal, a seguir vemos um largo que a separa da Igreja da Trindade 
A estreita via, na esquerda da Igreja e do edifício da Ordem anexo à mesma, é a desaparecida Rua de Cima do Muro da Trindade, que actualmente, muito mais larga, se denomina por Rua dos Heróis e Mártires de Angola
Nos inícios da década de 60 do séc. XX, iniciaram-se as demolições do casario que compunha a Rua de Cima do Muro da Trindade, para ser aberta a rua que hoje se chama dos Heróis e Mártires de Angola.
 O derrube do casario da Rua de Cima do Muro
 Café Primavera, na esquina das ruas de Alferes Malheiro com a de Cima do Muro da Trindade. Este casario foi demolido nas obras de alargamento
 O derrube do casario da Rua de Cima do Muro

 Vista parcial das obras
Nasceu a "Pedreira" que se manteve por décadas
 Ângulo oposto
A nova artéria, muito mais larga
 A "novíssima" Rua dos Heróis e Mártires de Angola
Rua dos Heróis e Mártires de Angola
 Rua dos Heróis e Mártires de Angola. Cliché idêntico ao anterior

Imagens:
- BPI (digitalizações)
- Arquivo Municipal do Porto

O «Tank» abandonado na estrada dos Carvalhos.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Documento/Processo, [1926] – [1926]. Local de Edição: [s.l.] Editor: [s.n.]
In: Arquivo Municipal do Porto
Antigo carro de combate / tanque de guerra, que remontaria à Primeira Guerra Mundial (1914-1918). 
Foi, por algum motivo, (avaria?) abandonado na estrada que liga aos Carvalhos e captado nesta imagem, supostamente obtida em 1926.

O Tanoeiro.

Tanoeiro, também designado por toneleiro, é um artesão dedicado ao fabrico de barris, pipas ou tonéis para embalar, conservar e transportar mercadorias, principalmente líquidos, como o vinho.
Os barris podem ser feitos de diversos tipos de madeira (carvalho, castanho, mogno, acácia ou eucalipto), mas são os de madeira de carvalho aqueles de melhor conserva. 
A madeira ideal para conservar bebidas é a proveniente de carvalhos que tenham aproximadamente 150 anos. Após o abate da árvore, a madeira deve ficar cerca de 3 anos a secar ao ar livre.
Fabricação de tonéis. Gravura de Jost Amman. Standebuch, 1568
Tanoeiros. Cliché de autor desconhecido
No norte de Portugal, durante séculos, gerações de tanoeiros dedicaram as suas vidas à arte da tanoaria, fazendo milhares de pipas, toneis e balseiros de madeira, usados para o transporte e envelhecimento do vinho do Porto. 
O conhecimento técnico era passado de geração em geração. Usavam como ferramentas várias enchós: a normal, a direita, a de goiva, a fechada e a de concha; serra e serrote; plaina de cavalete; compasso; trava de meia cana (para fazer o buraco da vasilha) e martelos.
Casa dos Almadas na Rua das Sete Passadas, freguesia de Santa Marinha
em Vila Nova de Gaia. Transporte de pipas. Emílio Biel c. 1905
Antigo barco rabelo carregado de pipas de vinho do Porto junto da Régua. BPI

Igreja de Cedofeita, pelo Arquitecto Marques da Silva. (Porto)

Já aqui falamos pormenorizadamente do demolido Mosteiro de São Bento de Avé-Maria, localizado onde actualmente se ergue a estação ferroviária de S. Bento. 
Como referimos, a demolição dos claustros começou em 1894 e a igreja seria demolida entre Outubro de 1900 e  Outubro de 1901.
Mosteiro de São Bento de Avé-Maria. Vista geral
Entrada da igreja. Emílio Biel
 Fachada e entrada da igreja. Albumina de Emílio Biel
No ano de 1894, o formidável arquitecto Marques da Silva regista na sua agenda o recebimento de 150 reis pelo levantamento de planta da Igreja de S. Bento da Avé-Maria, por conta da Confraria do Santíssimo Sacramento de Cedofeita. 
A nota reveste-se de grande importância por indiciar o cruzamento do processo de construção da nova Igreja paroquial de Cedofeita com o processo de construção da Estação Central de Caminhos de Ferro no Porto. O arquitecto designado para os projectar será o mesmo, o então jovem e promissor estudante de arquitectura, José Marques da Silva. 
O destino dos projectos será diametralmente oposto: se a icónica Estação de S. Bento se afirma ainda hoje orgulhosamente no território da cidade, o que ainda resta do monumental templo ambicionado pela Colegiada de Cedofeita, para sempre inacabado, a Capela-mor e os seus anexos, sobrevive conciliado com a actual Igreja de betão, projectada por Eugénio Alves de Sousa em 1963, numa coexistência dissimulada, que o torna praticamente invisível ao olhar público.
Marques da Silva, Estudo para a fachada da Igreja de Cedofeita, s.d.
Imagem in: Fundação Marques da Silva
O grande impulsionador da ideia de construir uma nova igreja paroquial para Cedofeita será António José Gomes Samagaio, juiz da Confraria, desde 1884, mais tarde Presidente da Associação Industrial do Porto e Vereador do Município. Para a concretizar, a Confraria, para além da doação de terrenos pertencentes à Quinta do Priorado e verbas próprias, ver-lhe-á ser atribuída, por Portaria de 1896, a gestão da demolição da parte restante do Convento e da igreja de S. Bento da Avé-Maria, razão pela qual herdará parte dos seus materiais, alfaias, mobiliário e objectos de talha.
Mosteiro de São Bento de Avé-Maria 
Retábulo da igreja. Albumina de Emílio Biel
Os Livros de Atas documentam a existência de contactos com Marques da Silva, nomeadamente em 1895, ano em que este apresenta, em Paris, cidade onde está a ultimar a sua formação, o projecto Naves de uma igreja abobadada, para a disciplina de Teoria da Arquitectura, cujos desenhos e enunciado se encontram preservados na Fundação e permitem estabelecer uma ligação com o esboço da primeira planta da nova igreja. A configuração arquitectónica da igreja passou por várias fases ao longo do tempo, como os vários desenhos existentes o confirmam. O primeiro projecto transporta claras influências do neorromantismo, com ecos da Basílica do Sacré-Coeur, antecipando fórmulas que, por exemplo, Ventura Terra virá a aplicar em Santa Luzia. Mas o volume da construção será gradualmente reformulado, em resposta às alterações pedidas pela Mesa da Confraria. 
Projecto do Arquitecto Marques da Silva para a igreja de Cedofeita, em 1896
As transformações são particularmente evidentes nos desenhos das fachadas do templo onde, sem perda do peso visual, se abdica da abóbada para reforçar um crescendo ascensional colmatado por uma torre composta de duas plataformas (a dos sinos e dos lanternins). Este projecto, que António Cardoso denomina de “joanino”, apresenta no alçado principal, dois corpos, até ao nível da cornija geral. No corpo saliente, ao qual se acede através de um escadório, sobressaem, no piso térreo, o tramo central, com um portal ladeado por colunas dóricas, e, no segundo andar, a modenatura e elementos decorativos do balcão, onde dois pedestais suportam as figuras de Maria e de S. Martinho, patrono de Cedofeita. Uma platibanda com ressaltos e esculturas sedentes estabelece a ligação para a torre, encimada por uma cruz. Em traços gerais, um projecto fortemente marcado pela presença do granito e pelo ecletismo das opções decorativas, ancorado nos elementos que permitem configurar o átrio e estruturar o transepto e a Capela-mor, com a monumentalidade característica do imaginário beauxartiano.
Depois de promovida a venda em hasta pública de alguns materiais provenientes das demolições, a 1 de Outubro de 1899, com a bênção do Bispo do Porto, D. António Barroso, é promovido o assentamento da primeira pedra da nova igreja de Cedofeita. Mas serão vários os entraves colocados ao processo de construção, desde a lentidão e onerosidade das demolições e remoções até às crises económicas que se vão sucedendo, com reflexos imediatos nas receitas da Confraria (subscrições, benefícios e donativos). Nem a atribuição de subsídios governamentais, nem os legados, nem os empréstimos contraídos serão suficientes para validar a construção. Em 1911, apesar de cinco anos antes, D. António Barroso ter celebrado a primeira missa na capela provisória da igreja, a falta de consenso sobre a necessidade de concretizar uma igreja tão sumptuosa impõe-se e as obras ficam suspensas. Novas peças assinadas por Marques da Silva, datadas de 1924, assinalam o retomar do processo de construção da igreja e dos equipamentos anexos. Também as compensações da Junta de Construções Escolares, pela cedência e troca de terrenos, tendo em vista a implantação do Liceu Rodrigues de Freitas, projecto atribuído a Marques da Silva, serão canalizados para as obras em curso, que, em 1936/7, ainda registam um projecto do arquitecto para construção de creche e de nova moradia para o pároco. A onerosidade e morosidade da construção, a adopção de outros valores estéticos vão condenar irremediavelmente o projecto. Em 1941, Duarte Pacheco, Ministro das Obras Públicas ainda chega a propor que o corpo principal poderia receber a obra de talha da Igreja de S. Francisco, mas não deixa de defender a demolição do que estava feito e a passagem a uma nova construção. Ainda assim é pedida uma simplificação do projecto a Marques da Silva, mas já ninguém acredita na realização de uma obra, então considerada, de arquitectura pesada e de dimensões exageradas.
Apesar de ter permanecido inconclusivo e renegado pela entrada em vigor de novos cânones e modelos, em particular no que se refere à arquitectura religiosa, este projecto de Marques da Silva reveste-se de particular importância e significado pela forma como se cruza com os desenvolvimentos políticos, económicos e sociais que marcaram o Porto entre finais do século XIX e a primeira metade do século XX: o processo de construção da Estação Central de Caminhos de Ferro, o programa e o papel desempenhado pelas Irmandades na cidade ou mesmo a implantação dos liceus.

Fonte parcial:
- Fundação Marques da Silva
Bibliografia:
CARDOSO, António - O arquitecto José Marques da Silva e a arquitectura no Norte do País na primeira metade do séc. XX. Porto: Faup-publicações, 1997, pp. 105-108; 431-439; 467.
MOTA e COSTA, Orlando – Igreja Paroquial de S. Martinho de Cedofeita. Porto: Igreja Paroquial de S. Martinho de Cedofeita, 2007, pp. 22-26.

Auto-de-Fé de 1543. (Porto)

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Este é um assunto um pouco controverso, com os Historiadores a repartirem-se em opiniões, por vezes bastantes divergentes sobre a realidade decorrida. 
Vamos expor aqui, uma das versões daquilo que é provável que tenha sucedido em Fevereiro de 1543.
Notícia no jornal HA-LAPID sobre o auto-de-fé no Porto de 1543
A 11 de Fevereiro de 1543 (e um ano depois, em 27 de Abril de 1544), terão sido realizados no Campo do Olival (Cordoaria) dois autos-de-fé.
Citamos:
O primeiro auto do Santo Ofício que se fez neste reino de Portugal foi nesta cidade do Porto, aos 11 dias do mês de Fevereiro, que caiu ao primeiro domingo da Quaresma do ano de 1543 (...) Estiveram presos os cristãos-novos juntos nas lojas das casas que estão ao pé da escada grande da Sé e as mulheres nos sobrados das casas defronte de Nossa Senhora do Ferro. Se fez o cadafalso no Campo do Olival (...) reinava El-Rei D. João o terceiro (…) e era bispo nesta cidade D. Baltasar Limpo (…) Juntou-se nesta cidade mais gente que nunca se viu antes (…) vinda do Termo e do Minho, de Vila Real, de Lamego, de Viseu e Coimbra que todo aquele campo desde Nossa Senhora da Graça e S. Miguel, até ao monte dos Judeus (…) estava apinhado de gente e estando uma mulher nobre numa das torres, morreu de morte súbita, vendo dar garrote a um dos quatro que foram queimados nesse dia e queimaram muitas estátuas dos culpados que fugiram.
Fizeram o segundo auto do Santo Ofício (…) no mês de Maio do ano de 1544 onde também concorreu muita gente, queimaram e afoguearam três pessoas e muitas estátuas dos fugidos (…)”

Gravura a cobre intitulada "Die Inquisition in Portugall" por Jean David Zunner retirada da obra "Description de L'Univers, Contenant les Differents Systemes de Monde, Les Cartes Generales & Particulieres de la Geographie Ancienne & Moderne." Por Alain Manesson Mallet, Frankfurt, 1685, da colecção privada do Dr. Nuno Carvalho de Sousa. Fonte: Wikipédia
A cidade do Porto e a Inquisição nunca se deram bem, embora curiosamente, muitos nomes relevantes desta cidade, fossem membros do Santo Ofício. Segundo as crónicas, após o segundo auto-de-fé, realizado em Abril de 1544, a Inquisição, pressionada, deslocou-se para Sul. 

Sé de Lamego - Obras de restauro no séc. XX.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Foi sob a tutela da Direcção Geral de Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), que nos anos 30 do séc. XX se iniciou a intervenção de restauro da Sé de Lamego, a qual se centraria primeiramente, na recuperação das coberturas e na reconstrução de grande parte do Claustro. De facto, em Fevereiro de 1936 estariam disponíveis as primeiras verbas para estas obras de restauro.
As obras de restauro e manutenção foram de grandes dimensões, abrangendo toda a catedral, tanto externamente como internamente (pintura mural, talha, etc.) e arrastaram-se por muitos anos, devido não só à sua grandiosidade, mas principalmente devido à constante falta de verbas.
Sé de Lamego. Prova actual em papel salgado, a partir de um 
calótipo de Frederick William Flower. 1849 -1859
Sé de Lamego. Vemos o belíssimo gradeamento externo, com colunas em alvenaria de granito, mandado colocar por D. Tomás de Almeida e posteriormente retirado
Sé de Lamego. Gradeamento mandado colocar por D. Tomás de Almeida
Já nos anos 60, a Torre que esteve habitada até 1964, foi finalmente desocupada por intervenção do Cabido, beneficiando de obras só em 1968. 
Sé de Lamego - Obras de restauro. Imagens: IHRU / SIPA
A fachada norte da torre apresentava a abertura de dois vãos, sendo um ao nível térreo e outro ao nível do primeiro piso, realizados em época posterior à medieval. 
Os vãos seriam entaipados, sendo aberto no nível do primeiro piso, um novo vão para iluminação solar, com semelhança ao existente na fachada ocidental da torre.
Houve preocupação em mimetizar o estilo românico. De facto a torre seria a única parcela de todo o complexo a sofrer um restauro assente em critérios de reposição estilística.
Torre sineira da Sé de Lamego - Obras de abertura da fresta nova. 
Cliché de José Marques Abreu Júnior, 1968
Torre sineira da Sé de Lamego - Pormenor da fresta nova. 
Cliché de José Marques Abreu Júnior, 1968

Torre de Chã. (Ferreiros de Tendais / Cinfães)

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

A Torre de Chã (ou Torre de Cham) era originalmente uma fortificação, posteriormente transformada em Solar da Brasonada família Pinto, (já por nós mencionada na publicação "Torre da Lagariça/A Illustre Casa de Ramires") de Riba Bestança. A lenda identifica como fundador da torre, o famoso cavaleiro moçárabe* Geraldo Giraldes. 
Esta fortificação localizava-se num alto pedregoso da serra de Montemuro, perto do ribeiro de Bestança e da vila de Ferreiros de Tendais.
Desenho à pena da Torre de Chã, em Ferreiros de Tendais, Cinfães 
Autoria do Dr. Cabral Pinto de Rezende
«O Castello de Cham»
Revista Panorama de 11-11-1843
No ano de 1939, a antiquíssima Torre de Chã, encontrava-se em absoluto estado de ruína, já fazia muitos anos e seria demolida, alegadamente para evitar o colapso total. Esta demolição, foi sem duvida alguma, mais uma grande perda do nosso património histórico.

Nota: * Moçárabes (do árabe مستعرب musta'rib, "arabizado"‎) eram cristãos ibéricos que viviam sob o governo muçulmano no Al-Andalus. Os seus descendentes não se converteram ao Islão, mas adoptaram elementos da língua e cultura árabe. Eram, principalmente, católicos romanos de rito visigótico ou moçárabe.

Diploma de Habilitação no Exame de 4.ª Classe. (Portugal)

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Em Portugal, entre os anos de 1948 e 1974, o Ensino Primário era abrangido por dois ciclos de educação.
O primeiro (que é o que abordaremos aqui) denominava-se por elementar e era constituído por quatro classes (primeira classe, segunda classe, terceira classe, quarta classe), que só terminava com aprovação no exame da quarta classe.
Diploma de Habilitação no Exame de 4.ª Classe
O ciclo elementar do Ensino Primário era considerado como uniforme para cada sexo e obrigatório para todos os portugueses mental e fisicamente sãos, entre os sete e os doze anos, e destinava-os a habilitá-los a ler, escrever e contar, a compreender os factos mais simples da vida ambiente e a exercer as virtudes morais e cívicas, dentro de um vivo amor a Portugal. 
Sala de aula numa escola primária em 1938
 Ambiente que reinava nos refeitórios das Escolas Estatais, durante o Estado Novo 
De notar a presença do Crucifixo e as fotografias do Presidente da República 
e do Presidente do Conselho, na parede. Símbolos de Deus e da Nação
Muito poderíamos ainda escrever, acrescentar e pormenorizar, sobre este tema, mas não sendo esse o objectivo desta publicação, deixamos aqui apenas os tópicos essenciais.

Solar de Carrapatelo. (Penha Longa)

Localizado na margem direita do rio Douro, perto da barragem do Carrapatelo (a barragem deve o seu nome à propriedade e seu Solar), o Solar de Carrapatelo é uma construção de estilo Barroco, Brasonado, com as armas da família Abreu e Lemos. 
Solar de Carrapatelo em 1973. Cliché de A. Cochofel
Sendo na sua época obviamente residência de pessoas com elevado nível económico, a propriedade engloba casa de caseiros, adegas, tulhas e uma capela. De facto, esta propriedade pertencia ao fidalgo José Joaquim de Abreu e Lemos, de 73 anos, sargento-mor das milícias do julgado de Bem-viver a qual a rea geográfica pertencia a casa na época, que aí habitava na companhia de sua filha, D. Ana Vitória de Vasconcelos e Abreu Lopes da Fonseca Lemos, de 39 anos, já esta estava viúva. A sua filha natural D. Rita de Cássia e a sua neta D. Ana Amélia, de 19 anos, que ainda se encontrava solteira para além de todos os criados e criadas da casa. Tinha ainda outra neta, D. Maria de Melo, de 22 anos, que casara havia um ano com João da Silveira Osório de Vasconcelos e vivia na margem de lá do Douro, na Póvoa ou Quintã de Antemil. 
Este Solar, ficaria para sempre ligado ao nome do salteador José do Telhado, devido ao assalto efectuado pelo mesmo.
A 3 de Janeiro de 1852 faleceu o sargento-mor. O funeral realizou-se no dia 5 para a Capela do Senhor Preso à Coluna, pertença da família, na Igreja Matriz de Paços de Gaiolo.
Todos os fidalgos e autoridades das redondezas tinham acorrido ao funeral e a apresentar condolências à família enlutada, além do muito povo que comparecera, pois era geral a estima pelos fidalgos de Carrapatelo e conhecida a bondade de D. Ana Vitória.
Durante a tarde do dia 7 iam partindo as últimas visitas.

"Tendo atravessado o Tâmega no Barco do Canal [situado em Abragão, concelho de Penafiel], a quadrilha dirigiu-se para o monte do Castelinho, onde passou parte da tarde fingindo que caçava. Dali foi para a corte de Fandinhães, aonde o Fragas lhe enviou comida. Já noite, dirigiu-se a um alto que fica próximo da casa de Carrapatelo, onde José Teixeira destinou os postos de cada um."
In: Campos Monteiro, obra citada. 
Alguns dos assaltantes fizeram a passagem do Canal em pequenos grupos, para não levantarem suspeitas. Levavam com eles duas cadelas (talvez com o intuito de acalmarem os cães da casa) e dois cães. 
José do Telhado tinha com ele o seu cavalo. O comandante dera como senhas: Merda, para avançar, e Mesão Frio, para retirar.
Construção da Barragem do Carrapatelo
 Podemos ainda avistar nesta foto o Solar do Carrapatelo
O Solar à algum tempo atrás, aparentava um abandono lamentável (terá entretanto tido obras de restauro?)
Como já mencionamos anteriormente em outras publicações, sabemos que manter estes casarões em bom estado, não fica barato, principalmente se os mesmos não estiveram adaptados a algo (como o turismo rural por exemplo) que permita torná-los auto-sustentáveis, no entanto também conhecemos (e na primeira pessoa) casos em que as propriedades e os edifícios foram herdados em boas condições, mas o desmazelo, desinteresse, preguiça crónica e até mesmo a triste e escusada avareza de quem as herdou (não gastar um tostão em preservação, pois não vai haver lucro de recompensa) conduz propriedades e suas casas centenárias a uma condição de ruína quase absoluta, que as tornará muito mais difíceis de recuperar futuramente pelos próximos herdeiros. A meu ver, esta atitude última, é um desrespeito absoluto à memoria dos familiares falecidos que confiaram estes bens aos seus actuais e apenas temporários proprietários.

Popularmente diz-se:
"Uns são úteis quando vivos, outros 
tornam-se úteis, quando o deixam de ser"