Rua da Reboleira. (Porto)

quinta-feira, 28 de maio de 2015

A designação Rua da Reboleira, data dos séculos XIII-XIV. Esta rua ribeirinha portuense, possui um forte aglomerado de casas medievais, destacando talvez, a do nº. 59 que apresenta uma estrutura de casa-torre com ameias ou merlões, à imagem de uma estrutura defensiva. 
A sua construção consta de um acordo celebrado em Setembro de 1688, entre o mestre pedreiro Manuel Mendes e Pedro Sem, e foi também o local do nascimento de Pedro Sem da Silva (filho) que aqui morou até ao seu casamento.
Largo do Terreiro, Rua da Reboleira e Rua de São Nicolau, vendo-se a Capela da Senhora do Ó. 
Cliché da Phot.ª Guedes
Esta rua foi parcialmente demolida (cortaram-lhe um troço que ia até junto da muralha Fernandina) quando, por volta de 1869-1872, se começou a abrir a Rua Nova da Alfândega. 
Rua da Reboleira, anterior às demolições de 1869-72, efectuadas para abertura da Rua Nova da Alfândega 
José Augusto Vieira in, Minho Pittoresco
Rua da Reboleira nos anos 50 do séc. XX. Cliché de Teófilo Rego
Casas que se encontram no ângulo da Rua do Infante D. Henrique, com a Rua da Reboleira, destacando-se uma pequena oficina de tanoeiro. Cliché da Phot.ª Guedes
 Fonte Parcial:
- AMP

Relógio da Sé do Porto.

sábado, 23 de maio de 2015

Desde os finais do séc. XV/inícios do séc. XVI, que a Sé do Porto possuía um relógio mecânico, que substituiu um outro mais antigo, inserido numa das torres da sua fachada (a torre Sul), no qual as horas eram tangidas manualmente. 
Em 1540 este relógio já se encontrava avariado, necessitando de peças que teriam de vir da Flandres. Na segunda metade do século XVII, este segundo relógio seria mandado retirar pela câmara, que alegava que o mesmo não era preciso, visto existirem em abundância pela cidade, isto até 1685, ano em que por Carta Régia, se determinou que o mesmo regressasse à catedral.
Entre 1717-1741, após as grandes obras realizadas em todo o edifício, o relógio seria colocado numa espécie de «Arco Triunfal» entre as duas torres.
Sé do Porto com o seu relógio. Desenho de Alfredo Machado em 1918
Neste local se manteria o relógio, até as grandes obras de beneficiação e restauro realizadas pelo DGEMN, durante a vigência do Estado Novo, que, para devolver o aspecto original ao edifício, o retirou novamente.
Vista do Largo de S. Domingos. A Sé ainda tem o relógio entre as torres
Cliché de Domingos Alvão
Sé do Porto ainda com o relógio e o casario que a envolvia - BPI - Editor - Estrela Vermelha
A Sé do Porto com o seu relógio
Cliché obtido do Miradouro da Vitória, com autoria atribuída a George Tait c. 1888
Sé do Porto com o seu casario envolvente. Seria derrubado nos anos 30, para permitir os acessos ao tabuleiro superior da Ponte Luís I, bem como permitir criar espaço para a construção do conhecido "Terreiro da Sé". É perceptível o relógio entre as duas torres
 Vista e Sé do Porto e construções envolventes, num BPI, análogo ao cliché anterior e obtido provavelmente do Miradouro da Vitória, ou muito próximo do mesmo
Dispensário Rainha D. Amélia. É visível a Sé, com o seu relógio, na direita da imagem
BPI - Editor - Arnaldo Soares

Igreja e Torre dos Clérigos - Projecto original. (Porto)

sexta-feira, 22 de maio de 2015

A Torre dos Clérigos, teve sempre tal impacto visual, que a transformou no ex-líbris da cidade do Porto. 
No entanto esta torre é apenas um dos corpos da Igreja da Irmandade de São Pedro dos Clérigos, sendo estes compostos por: igreja, dependência da irmandade e a famosa torre sineira.
Igreja da Irmandade de São Pedro dos Clérigos - Alvão
O projecto foi desenhado, a custo zero, pelo grande Nicolau Nasoni (1691-1773) e a construção da igreja colocava alguns problemas interessantes e complicados, aos quais Nicolau Nasoni soube responder com soluções criativas e inegavelmente eficazes. 
A dificuldade maior prendia-se com o formato do lote, longo mas bastante estreito. Para tirar pleno partido desta situação, Nasoni rejeitou a fórmula tradicionalmente usada em Portugal de colocar as torres na fachada e remeteu-as antes para as traseiras, libertando assim espaço na frente da igreja.
Um pormenor bastante importante, é o facto do projecto original incluir, não uma, mas sim duas torres sineiras voltadas para a Baixa da cidade, situação posteriormente corrigida.
Igreja e Torre dos Clérigos em finais de 1800. Provavelmente década de 1880
Este conjunto, tinha originalmente previsto, não uma, mas sim duas torres
A originalidade do projecto mantém-se no interior da igreja. Aqui, ao corpo rectangular da fachada segue-se a nave única de planta oval, solução rara no contexto da arquitectura portuguesa. 
Rua dos Clérigos - Finais de 1800 - Aurélio da Paz dos Reis
A torre, o corpo mais famoso da igreja,  foi construída entre 1754 e 1763, tem seis andares e 75 metros de altura, que se sobem por uma escada em espiral com 240 degraus. Era, na altura da sua construção, o edifício mais alto de Portugal e está classificada pelo IPPAR como Monumento Nacional desde 1910.

Fontanário da Praça de Santa Teresa. (Porto)

quinta-feira, 14 de maio de 2015

aqui falamos da Praça do Pão (local onde se realizava a Feira do Pão), mais tarde Praça de Santa Teresa e actualmente Praça Guilherme Gomes Fernandes.
Neste sitio existiu originalmente uma fonte que possuía três carrancas, provenientes da Fonte da Natividade, na desaparecida Praça de D. Pedro. Essa fonte primitiva, seria substituída por um fontanário, idêntico ao da Praça de Carlos Alberto, em 1905. 
Fontanário da Praça Santa Teresa em 1908
Em 1915 o fontanário foi destruído para dar lugar ao monumento (Busto) a Guilherme Gomes Fernandes, que todos podem actualmente, observar no local.

Profissões da Foz do Douro. (Porto)

terça-feira, 12 de maio de 2015

Pescador da Foz do Douro. ED. CARDOSO REG.
Das profissões mais antigas, árduas e características desta zona, destacamos o papel desempenhado pelos pescadores da cantareira, que, durante décadas, pescaram na região. 
Se tal profissão era ocupada por homens, o papel das mulheres, complementava-a, lembrando-nos assim das peixeiras desta zona, que vendiam o pescado, tanto nos mercados da cidade, como porta-a-porta, com a canastra à cabeça.
 Peixeira da Foz do Douro, BPI. Imagem Edições Union Postale Universelle, data desconhecida
Passeio Alegre, Foz do Douro. Emílio Biel

Aljube Eclesiástico. (Porto)

Na Rua de S. Sebastião, ergueu-se o Aljube Eclesiástico. 
O Aljube Eclesiástico foi fundado em edifícios doados para o efeito, por D. Jerónimo de Távora, Deão do Cabido da Sé do Porto. 
Aljube Eclesiástico. Note-se a Fonte do Pelicano, mais tarde removida para o Terreiro da Sé. Cliché da Phot.ª Guedes
Era uma construção do século XVIII (1749), que veio substituir o antigo Aljube Eclesiástico existente perto do Arco de Vandoma. 
A parte superior do edifício funcionava como Aljube, mas o piso térreo era para arrendamento. Mais tarde o edifício seria cadeia civil e em 1865 criaram no local uma secção, para recolha de mulheres da vida ou «vagabundas». 
Aljube Eclesiástico - BPI - Editor - Arnaldo Soares
Cerca de uma década mais tarde, instalou-se no local um «asilo de rapazes». O local seria totalmente desactivado nos anos 20 do século XX, sendo actualmente propriedade particular.

As Carquejeiras. (Porto)

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Carquejeira carregada, subindo a Calçada da Corticeira
As Carquejeiras, eram mulheres, resistentes, corajosas, trabalhadoras e esforçadas, que descarregavam pesados molhos com 40, 50 ou 60 quilos de carqueja (ou chamiça) dos barcos que a transportavam Douro abaixo. 
Subiam e desciam desde madrugada até à noite a Calçada da Corticeira, rampa que, actualmente, um turista, munido apenas de uma leve máquina fotográfica não consegue subir por inteiro, sem parar a meio para descansar e apreciar a paisagem.
Descarregando carqueja - Aurélio da Paz dos Reis c. 1906
 Corticeira, vendo-se a Capela do Sr. do Carvalhinho 
Por esta rampa subiam as Carquejeiras
BPI - Editor Alberto Ferreira - Praça da Batalha - Porto

As Carquejeiras, com os molhos às costas, subiam esta calçada, com 210 metros de comprimento e 22 por cento de inclinação, até às Fontainhas. 
Pousavam a carga no muro da Alameda das Fontainhas, bebiam água e lavavam o suor e a sujidade da face num fontanário ainda lá existente.  
A Calçada da Corticeira, e zona das Fontainhas, vistas de Vila Nova de Gaia, por volta de 1860. Calótipo com autoria atribuída a Frederick William Flower
«O Século Ilustrado». 19 de Abril de 1947 - A Calçada da Corticeira
Após um breve descanso, prosseguiam viagem até ao centro da cidade do Porto. 
Iam até às Antas, a Paranhos, à Boavista, aos sítios onde havia padarias de que a carqueja era acendalha para os fornos. Entre os anos 30 e 50 do século XX, passaram centenas de mulheres pela Corticeira. Na década de 40 do século passado, chegou a haver noventa, todo o dia, em bicha e em ziguezague, para compensar a agrura da subida.
Curiosidade: Ford subindo em 32 segundos a Corticeira em 1905 
Aurélio da Paz dos Reis in Ilustração Portuguesa
Palmira de Sousa - A última das Carquejeiras 
Foto em Jornal de Notícias - PEDRO CORREIA - GLOBAL IMAGENS
Palmira de Sousa, foi "A última Carquejeira do Porto". Seguiu o ofício de sua mãe, começando a carregar os pesados fardos de carqueja, pela calçada acima, a partir dos dez anos. 
Nascida em 1912, a senhora Palmira de Sousa faleceu em 2014, com uns formidáveis 102 anos de idade.