Sítio dos Laranjais e Campo das Hortas. (Porto)

sábado, 31 de outubro de 2015

Planta do Sítio dos Laranjais (...) para nele se construir um novo bairro que os moradores pretendem edificar (...)  1761-01-31 a 1916 in AMP
Segundo registos da Direcção-Geral do Património Cultural, entre outras fontes oficiais, sabemos que a actual Praça da Liberdade designou-se primitivamente por Casal ou Lugar de Paio de Novais, Sítio ou Fonte da Arca, denominando-se, mais tarde, por Quinta, Campo ou Sítio das Hortas. 
(...) o Campo das Hortas, onde ainda corre o rio de Liceiras e outros pequenos cursos de água (...)
Foi ainda Lugar ou Praça da Natividade, Praça Nova das Hortas, Praça da Constituição e de D. Pedro IV e, mais recentemente, Praça da República.
Já em 1691, a municipalidade do Porto e o Capítulo da Sé-Catedral tinham lançado o projecto de estabelecer no Campo das Hortas, propriedade do Capítulo, uma praça pública, entre a Porta de Carros e o Postigo de Santo Elói. O projecto não foi por diante, tendo sido retomado em 1709, pelo então Bispo do Porto, D. Tomás de Almeida, que propõe a abertura de uma praça de formato quadrangular digna de "rivalizar com a Plaza Mayor de Madrid".
Lugar dos Laranjais, sobrepondo-se a localização da Avenida dos Aliados
Tratava-se do primeiro grande empreendimento urbanístico de Portugal. Chegaram mesmo a efectuar-se os contactos de aforamentos das parcelas a construir e a lançar os alicerces de alguns dos edifícios, contudo, por dificuldades várias também este projecto não teve continuidade.
Em 1718 novo projecto foi lançado, cuja realização teve início quando "o cabido da Sé cedeu a 17 de Fevereiro de 1721 terrenos seus expressamente para uma praça". Novas ruas foram então abertas - a rua do Laranjal das Hortas (futura rua dos Lavadouros, hoje desaparecida) e a rua da Cruz (actual rua da Fábrica).
Rua do Laranjal (desaparecida), vendo-se a torre da Igreja da Trindade

Da concretização deste projecto resultaria a Praça Nova das Hortas (ou só Praça Nova).
Foi aberta no século, XVIII, no então chamado Campo das Hortas, limitada a Norte por dois palacetes (desaparecidos), onde funcionaram os Paços do Concelho até 1915; a Sul pela muralha fernandina, destruída mais tarde em 1788 e substituída por um conjunto monumental - o convento dos Frades de Santo Elói - cuja fachada sobre a praça constitui o edifício "da Cardosa", só terminado no século XIX, mas obedecendo ao primitivo projecto - a praça "tout-court". O lado oriental era ocupado pelo Convento dos Congregados, e o lado poente só mais tarde foi edificado.
Planta do Bairro dos Laranjais ou Bairro do Laranjal
Durante o século XIX, factores vários - a instalação da Câmara no topo Norte (1819); a inauguração da Ponte Luís I (1887); a extensão da via férrea até S. Bento (1896) - contribuem para tornar a Praça definitivamente num importantes centro político, económico e sobretudo social. 
Praça de D. Pedro. Palacete dos Paços do Concelho. BPI
Em meados daquele século, a Praça era já o "ponto predilecto de reunião dos homens graves da política e do jornalismo, da alta mercância tripeira e dos brasileiros". 
Predominavam os botequins: "Guichard", "Porto Clube", "Camacho", "Suíço", "Europa", "Antiga Cascata", "Internacional", etc., aos poucos desaparecidos em consequência da profunda reestruturação daquela área, onde as entidades bancárias, companhias seguradoras ou escritórios conquistaram o seu espaço. 
Rua de D. Pedro (desaparecida). Cliché da Casa Alvão
As obras da Avenida iniciaram-se no dia 1 de Fevereiro de 1916 com a demolição do edifício que serviu de Paços do Concelho, a norte da Praça da Liberdade, acompanhada do desaparecimento das ruas do Laranjal, do bairro com o mesmo nome e da rua de D. Pedro, entre outras.
Demolições, para a abertura da Av. dos Aliados

Fontes:
- DGPC
- AMP

Grande Hotel do Porto. (Porto)

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Grande Hotel do Porto em 1905
Não tendo (felizmente) até à presente data desaparecido, este hotel terá uma merecida publicação na nossa secção de "Retratos do Passado".
O Grande Hotel do Porto, abriu portas a 27 de Março de 1880. O Grande Hotel do Porto nasceu por vontade de Daniel Moura Guimarães, um abastado comerciante de arte que viajou pelo mundo e decidiu lançar ao arquitecto Silva Sardinha o desafio para conceber um hotel de referência no Porto. 
Daniel é trisavô do cantor e músico Pedro Abrunhosa, que passou muitos momentos da sua infância no hotel, onde o seu avô Álvaro Machado foi Director durante muitos anos.
Foi neste hotel onde se exilou a família imperial brasileira, em Novembro de 1889, no seguimento da proclamação da República e num dos seus quartos, um mês depois, acabaria por falecer Dona Teresa Cristina, esposa de D. Pedro II e última imperatriz do Brasil.
Até meados do século XX, altura em que abriu o Infante Sagres como mais luxuosa unidade hoteleira da cidade, o Grande Hotel do Porto foi local de passagem e estada para políticos e escritores ilustres. Foi morada de Eça de Queirós, conforme comprova a sua correspondência, e o local onde o primeiro-ministro republicano Afonso Costa seria detido na sequência do golpe de Estado de Sidónio Pais, em Dezembro de 1917. Serviu também de ponto de encontro para a homenagem da cidade a Gago Coutinho e Sacadura Cabral. A 8 de Dezembro de 1922, milhares de portuenses concentraram-se na Rua de Santa Catarina para dar as boas-vindas aos heróis da travessia aérea do Atlântico Sul. Nessa noite, Gago Coutinho e Sacadura Cabral jantaram no Grande Hotel e tanto as fotos como a ementa em francês estão ainda hoje patentes nas paredes.
A homenagem da cidade do Porto a Gago Coutinho e Sacadura Cabral, a 8 de Dezembro de 1922 teve a “participação” do Grande Hotel, pois foi aí que os heróis da travessia aérea do Atlântico Sul jantaram
O hotel abriu portas com algumas novidades. Os quartos tinham água quente e fria, havia um balneário público nas traseiras, que era utilizado pela população numa altura em que não havia casas de banho na maioria das habitações. E havia também serviços originais para a época, como o de os funcionários irem à Estação de São Bento buscar os hóspedes e as suas bagagens, que chegavam de comboio.
Rua de Santa Catarina
A traça do hotel não mudou nada praticamente, nem a decoração e o ambiente das zonas públicas, como a sala de jantar ou do Bar Duque de Windsor, que é uma homenagem a outro ilustre  hóspede. Já os quartos estão bastante diferentes, já que nos primeiros tempos o sistema elétrico era mais rudimentar e não havia condutas de ar condicionado ou sistemas de prevenção de incêndios.
 Sala de jantar
 Cozinha

Fontes: 
- Diário de Notícias
- Grande Hotel do Porto

Salão Jardim da Trindade. (Porto)

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Salão Jardim da Trindade, 1913. Editor - Le Temps Perdu
O Salão Jardim da Trindade, como era designado em 1913, ano da sua inauguração, localizava-se na Rua do Almada e tinha uma lotação de quase 1200 lugares. Os antigos frequentadores da sala ainda hoje elogiam os seus distintivos vitrais azuis. Fechou em 1989 para dar lugar a um Bingo que funcionou até ao ano 2000.
Vistas exteriores, junto à Praça da Trindade. Clichés de autor desconhecido


Hospital Regional de Rezende. (Resende)

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Não é um edifício desaparecido, mas é sem dúvida um edifício muito alterado e ampliado, que merece uma publicação neste espaço.
Os terrenos ocupados pelo Hospital pertenciam ao senhor Luís Correia Pinto, da Freguesia de Resende, que ofereceu a sua "Quinta do Picotinho", hoje conhecida por "Quinta do Hospital", doando-a  à Santa Casa da Misericórdia de Resende já constituída.
A escritura de doação foi lavrada e assinada, no Cartório Notarial do Bacharel Amadeu Aarão Pinto dos Santos, no Largo da República da Vila de Resende, no dia 25 de Março de 1935.
A primeira pedra da obra do Hospital foi benzida, por Sua Excelência Reverendíssima, o Senhor Bispo de Lamego, D. Agostinho de Jesus e Sousa, em 08 de Outubro de 1934.
O custo do edifício do Hospital foi de duzentos e sessenta e um mil e oitocentos e noventa escudos. Os donativos recebidos no concelho foram de 111.746$20. O estado contribuiu com 82.000$00, a Câmara Municipal de Resende com 30.000$00 e a Junta de Província do Douro Litoral deu 23.000$00, com o encargo de o Hospital receber e tratar os doentes dos concelhos de Cinfães e Baião, e essa a razão de ser do Hospital se chamar " Regional".
Em 16 de Julho de 1939, dia do 68.º Aniversário do Dr. Rebelo Moniz, e Festa Litúrgica de Nossa Senhora do Carmo, numa celebração solene, foi inaugurado o Hospital Regional da Misericórdia de Resende. Presidiu o senhor Bispo de Lamego, Dom Agostinho de Jesus e Sousa e o orador convidado foi o Dr. Francisco Correia Pinto, nascido em Caldas de Aregos e criado em Freigil, lente da Universidade de Coimbra, um dos maiores oradores do seu tempo, ilustríssimo resendense e cónego da Sé do Porto. Na inauguração do Hospital, já estavam presentes as Irmãs Franciscanas Hospitaleiras Portuguesas, que, por influencia do Bispo da Diocese, Dom Agostinho, ficaram a dirigir o hospital logo no seu inicio e, mais tarde, também o Patronato. As Irmãs eram chefiadas pela superiora Irmã Francisca do Rosário, que se manteve à frente da comunidade até 1974, data em que as Irmãs saíram definitivamente de Resende. 
As Irmãs eram tudo naqueles tempos: enfermeiras, professoras e parteiras tanto no Hospital como no Patronato.

Fonte:
- Santa Casa da Misericordia de Resende

Soldado Milhões. (Aníbal Augusto Milhais)

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Aníbal Augusto Milhais nasceu em Valongo, concelho de Murça, no dia 09 de Julho de 1895. 
Milhais, posteriormente conhecido por "Milhões", seria o soldado Português mais condecorado da I Guerra Mundial e o único soldado Português premiado com a mais alta honra nacional, a Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, no campo de batalha, em lugar da habitual cerimónia pública na cidade de Lisboa.
Aníbal Milhais - Soldado Milhões, c. 1924. Arquivo BN
Em plena I Guerra Mundial e durante a Batalha de La Lys, mais exactamente na madrugada de 09 de Abril de 1918, dezenas de divisões alemãs irromperam pelo sector Português da frente, defendida pela segunda divisão do Corpo Expedicionário Português. 
A 2.ª Divisão do Corpo Expedicionário Português foi completamente devastada e esmagada, sacrificando-se na mesma, cerca de 7.500 vidas, contando com os mortos, os feridos, os desaparecidos e aqueles que foram capturados como prisioneiros de guerra.
Aníbal Augusto Milhais, que viria a ser conhecido por "Soldado Milhões", acabou sozinho na sua trincheira, munido apenas com a sua arma, uma metralhadora Lewis, conhecida entre os lusos como "a Luísa". 
Com invulgar coragem, que só no campo de batalha é possível obter, enfrentou sozinho as colunas alemãs que se atravessaram no seu caminho, permitindo a retirada de vários soldados portugueses e ingleses para as posições defensivas da retaguarda. Vagueando pelas trincheiras e campos, ora abandonadas pelos vivos, ora ocupados pelos alemães, o Soldado Milhões continuou ainda a fazer fogo esporádico, para o qual se valeu de cunhetes de balas que foi encontrando no terreno. 
Em primeiro plano: Aníbal Milhais. O "Soldado Milhões"
Quatro dias depois do início da batalha, encontrou um médico escocês, salvando-o de morrer afogado num pântano. Foi este médico, para sempre agradecido, que deu conta ao exército aliado dos feitos do soldado transmontano.
De regresso a um acampamento Português, o comandante Ferreira do Amaral saudou-o, dizendo-lhe que ficaria para a História de Portugal, "Tu és Milhais, mas vales Milhões!", afirmou.
Em 05 de Julho de 1924 o Parlamento alterou o nome da povoação de Valongo, para Valongo de Milhais, como reconhecimento pelos valorosos feitos de Aníbal Milhais.
Aníbal Augusto Milhais viria a falecer no dia 03 de Junho de 1970, já com uns respeitáveis 74 anos, na sua terra natal, em Valongo de Milhais, Murça.
Existe um Busto do "Soldado Milhões", na «Praceta Herói Milhões» em Murça. É uma obra do escultor Laureano Eduardo Pinto Guedes (1972-1973).
Está em exposição permanente parte do espólio (pistola, caderneta militar e medalhas) do "Soldado Milhões", no Museu Militar do Porto.

Fontes parciais:
- Freguesia de Valongo de Milhais, Câmara Municipal de Murça. 
- Corpo Expedicionário Português - Aníbal Milhais, November 19, 2008.
- O Soldado Milhões - Herói de Torre e Espada Jornal das Cortes. 

Sé de Lisboa - Obras de Restauro no Séc. XX.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

A Sé de Lisboa, ou Igreja de Santa Maria Maior, localiza-se na capital de Portugal. 
Actualmente é a sede do Patriarcado de Lisboa e da Paróquia da Sé. A construção da Sé teve início na segunda metade do século XII, após a tomada da cidade aos Mouros por D. Afonso Henriques, e apresenta-se hoje como uma mistura de estilos arquitectónicos. 
Esta construção está classificada como Monumento Nacional desde 1910.
Possuindo este edifício, muito conteúdo para se falar e debater, vamos no entanto, nesta publicação, apenas nos focar nas grandes obras de restauro, realizadas já no século XX.
Tendo sofrido ao longo dos anos, muitas alterações e acrescentos, grande parte das adições da era barroca foram retiradas a partir de uma grande campanha de restauro que ocorreu na primeira metade do século XX, cujo objectivo foi devolver à Sé algo de sua aparência medieval. 
Sé de Lisboa. Fachada principal no século XIX, antes das 
intervenções de Augusto Fuschini e António do Couto Abreu
Sé de Lisboa. A Catedral em início do séc. XX
O primeiro encarregado dos trabalhos, em 1902, foi Augusto Fuschini, que planeou um edifício revivalista em estilo neogótico. Augusto Fuschini demoliu algumas construções que flanqueavam a igreja, reconstruiu abóbadas, restaurou e abriu janelas e coroou de ameias o edifício. 
Sé de Lisboa - Projecto de Augusto Fuschini
Restauro da Sé, no olhar de Augusto Fuschini
Sé de Lisboa. Fachada principal com as obras de Fuschini
Sé de Lisboa. Fachada principal com as obras de Fuschini já mais adiantadas
Após a sua morte, em 1911, o projecto de restauro foi retomado e modificado por António do Couto Abreu, que passou a privilegiar as estruturas medievais ainda existentes. Foi reconstruída a abóbada da nave central, a fachada foi restaurada e refeita a rosácea, além de muitas outras alterações que deram ao edifício a aparência neo-românica que tem hoje. 
Nos planos estava incluída a construção de uma capela-mor neogótica, mas a oposição de figuras como os arquitectos Raul Lino e Baltasar de Castro salvaram tanto a decoração pós-terramoto da capela-mor como da Capela do Santíssimo.
Sé de Lisboa após as obras. Calótipo de Fionnbahrr Ó Súlleabháin
Após as reformas, a Sé foi reinaugurada em 1940, numa grande solenidade promovida pelo Estado Novo. Um Te Deum foi celebrado na Catedral no dia 05 de Maio de 1940, abrindo as cerimónias de celebração do 8.º Centenário da Fundação de Portugal e o 3.º Centenário da Independência. 
A Sé também foi importante na celebração do 8.º Centenário da Conquista de Lisboa aos Mouros, em 1947.

Fontes parciais:
- Arquivo Municipal de Lisboa (AML)
- BN

Hotel Universal. - de Ramires & C.ª - Porto.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

O Hotel Universal, localizava-se na Praça da Batalha, rematando o lado sul da praça, com a Rua de Alexandre Herculano, no local exacto onde hoje em dia encontramos a Messe de Oficiais, sendo no seu tempo, um Hotel de destaque na cidade.
Não é propriamente dito um edifício desaparecido, mas antes um edifício transformado e adaptado a uma nova realidade. De facto em 1926 o Hotel daria lugar à Messe de Oficiais.
Hotel Universal em 1910, BPI.  Tornou-se Messe de Oficiais em 15-09-1926
 Hotel Universal no Porto, BPI c. 1913
 Praça da Batalha no Porto. Observamos o Hotel Universal
A Messe de Oficiais do Porto foi inaugurada em 15 de Setembro de 1926, no edifício, devidamente ampliado e adaptado para o efeito, onde por muito anos funcionou o Hotel Universal.
 Messe de Oficiais (desde 1926). Imagem: Bing Maps 3D
Imagens:
- BPI, digitalização
- Bing Maps