Passo do Passeio Alegre. (Passos da freguesia de São João da Foz do Douro)

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Passo do Passeio Alegre. Frederick William Flower (1849-1859)
Segundo o Arquivo Paroquial de S. João da Foz do Douro, em meados do séc. XVIII, tornou-se imperativo a fixação dos passos, que eram armados para a procissão que os percorria no quarto Domingo da Quaresma. Isso tornava necessário a construção da algumas capelas, que simbolizassem alguns dos passos de Cristo. Contudo, devido à falta de fundos, só em 15 de Outubro de 1764, foi celebrado o contrato, com o mestre pedreiro Manuel dos Santos Porto, dando-se logo início as obras de construção. Em 1767 as capelas estariam já abertas aos fieis.
Na imagem de cima vemos o Passo do Passeio Alegre, que ainda existe actualmente, tendo no entanto sofrido algumas pequenas modificações. Originalmente possuía um coberto ou telheiro e uma sólida porta em madeira, que entretanto seriam retirados.
Foram cinco as estações da Via Sacra que foram construídas a instâncias da Confraria do Senhor dos Passos e de Nossa Senhora da Soledade. O Passo do Passeio Alegre fica na Rua do Passeio Alegre, ao fundo da rampa de acesso à Igreja de São João da Foz. O Passo de Santa Anastácia situa-se na Rua Padre Luís Cabral. Existe outro Passo na Rua Bela e na Rua do Alto da Vila.

Imagem:
- Frederick William Flower

Bazar dos Três Vinténs. (Porto)

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

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Painel de azulejos, ainda existente, na rua de Cedofeita, no Porto, alusivo ao desaparecido "Bazar dos Três Vinténs", que esteve estabelecido naquele edifício.
Este painel foi pintado por F. Gonçalves (activo entre c. 1954 e c. 1978) e produzido na Fábrica do Carvalhinho, em Vila Nova de Gaia, como podemos ler na base do mesmo.
O "Bazar dos Três Vinténs", era uma grande loja onde se comercializavam brinquedos, numa época bem anterior aos Hipermercados, ou "lojas dos Chineses". 
Bazar dos Três Vinténs - JN
Actualmente os brinquedos são, comparativamente, muito mais baratos, a oferta é muito superior e casas como este Bazar, desapareceram. 
No local do "Bazar dos Três Vinténs", abriria uma loja da "Zara" e mais recentemente uma loja da "Lefties".

Fonte parcial:
- JN

Casa da Alfândega Velha ou Casa do Infante. (Porto)

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Não desapareceu! Pelo contrário, está cada vez mais presente e merece, pelo seu valor patrimonial, uma publicação neste espaço.
O edifício da real "Alfândega Velha", situado na confluência das ruas Infante D. Henrique e Alfândega Velha, é tradicionalmente conhecido como "Casa do Infante", por se acreditar ter sido neste edifício que o infante D. Henrique nasceu. 
É verdade que D. Henrique nasceu na cidade do Porto, mas não existem provas do local exacto. Ainda assim, esta casa é actualmente, um dos edifícios mais antigos da Invicta.
Casa do Infante. Cliché de autor desconhecido, 1909
A denominada "Casa do Infante" localiza-se na primitiva "Alfândega Velha", obra que foi erguida numa zona da cidade intensamente disputada entre o Cabido da Sé e D. Afonso IV. 
Em 1325 D. Afonso IV ordenou a edificação de algumas casas nessa área próxima da Ribeira e que a Igreja portuense reclamava como sua pertença. 
Sanado o conflito em 1354, o "Armazém Régio" e as restantes casas da Coroa continuaram nessa artéria do burgo. No reinado de D. João I abriram-se novos trechos urbanos, com destaque para a Rua Formosa, que corresponde à actual Infante D. Henrique. Nos meados do século XV, D. Afonso V ordenou a reconstrução das arruinadas casas da Coroa localizadas na Rua Nova, entre as quais se incluía a "Alfândega Velha". Uma nova ampliação e remodelação estrutural foi realizada em 1667 pelo futuro D. Pedro II, erguendo-se nessa altura a actual fachada da Casa do Infante e que correspondia ao edifício da já citada "Alfândega Velha". Por ocasião das comemorações do IV Centenário do nascimento do infante D. Henrique, assinalado em 4 de Março de 1894, obras de características revivalistas neogóticas procuraram reconstituir o ambiente e a decoração medieval da Casa do Infante.
Classificado como Monumento Nacional em 1924, o edifício veio a ser alvo de um grande restauro pela Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, no fim da década de 1950. Foi então entregue à Câmara Municipal do Porto e ocupado pelo Gabinete de História da Cidade.
Casa do Infante- Antes, durante e depois da intervenção - José Marques Abreu Júnior 1958
Em 1980, este deu origem ao Arquivo Histórico Municipal do Porto que conserva a documentação camarária desde o período medieval, para além de uma excelente colecção de plantas da cidade e ainda uma boa biblioteca com vasta e variada bibliografia dedicada à história do burgo.
Na década de 1990 foram feitas profundas escavações arqueológicas, cujos resultados, juntamente com o estudo documental e arquitectónico, permitiram conhecer com pormenor o local. As escavações proporcionaram uma visão mais rica dos edifícios e dos homens que os utilizaram. Para além dos objectos do quotidiano, as cerâmicas, os vidros, os selos da alfandegagem, entre outros objectos, constituem importantes indicadores dos fluxos comerciais que a cidade do Porto foi mantendo ao longo dos séculos.
A pesquisa arqueológica permitiu também a descoberta de vestígios de ocupações anteriores, nesta zona ribeirinha. Foram encontrados importantes testemunhos da ocupação romana, destacando-se os primeiros mosaicos do Baixo Império encontrados no Porto. A musealização destes vestígios, no local onde foram descobertos, foi um elemento essencial do projecto de transformação das instalações. Um circuito de visita museológico ilustra a história do local, desde a ocupação romana, com recurso a aplicações multimédia e a uma maqueta interactiva representando o Porto Medieval. Este núcleo museológico está integrado no Museu da Cidade.
A "Casa do Infante" tem a sua entrada principal localizada na Rua da Alfândega Velha e é composta por portal de largo arco abatido. Sobre este pode observar-se uma lápide comemorativa do IV Centenário do nascimento de D. Henrique, obra oitocentista moldurada com arco conopial e o brasão do infante. No lado superior esquerdo do portal é visível um escudo régio do século XVII.
Para além do mencionado portal principal, a extensa fachada seiscentista, remodelada segundo a linguagem revivalista de sabor neogótico do século XIX, é repartida em quatro andares, ritmados por 14 janelas de guilhotina molduradas. Superiormente corre uma arcaria sustentando o saliente beiral do telhado.
Transposta a porta principal, desemboca-se num pátio interior, espaço que estabelece a ligação entre as diversas dependências do edifício. Elementos arquitecturais e decorativos do período medieval gótico e seiscentista caracterizam as salas e acessos dos vários andares da Casa do Infante.

Fontes:
- Casa do Infante
- Porto XXI
- SIPA
- Infopédia

Desabamento nos Guindais em 27 de Janeiro de 1879. (Porto)

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Já abordamos os Guindais, no Porto, sob vários temas, como por exemplo, o Funicular original. 
O local, por alguma razão, parece ser propenso a eventos, muitas vezes pouco agradáveis. Nesta publicação falaremos do terrível desabamento, ocorrido em 27 de Janeiro de 1879.
Clique nas imagens para as ampliar
Derrocada nos Guindais, seguida de incêndio (27 de Janeiro de 1879). Gravura de J. J. Pinto
Em 27 de Janeiro de 1879, a escarpa dos Guindais desabou, levando consigo o casario existente no local, nomeadamente todo aquele que se estendia pela sua sua base. 
Seguidamente, por entre os destroços das casas, deflagrou um grande incêndio que se prolongou por toda a tarde. A catástrofe atingiu tal magnitude, que nem no próprio rio Douro se estava a salvo. Uma embarcação despedaçou-se, após de ter sido atingida por um penedo que, após rolar pela encosta, a alcançou. 
A Ponte Pênsil (Ponte D. Maria II) oscilou com as ondas de choque, originadas pelo impacto da derrocada.
Derrocada e incêndio dos Guindais, em 27 de Janeiro de 1879. Gravura de Soares dos Reis
Desabamento nos Guindais, seguido de incêndio. Gravura de J. J. Pinto
 Guindaes e Ponte Maria Pia. Uma imagem um pouco mais recente
 
Imagens:
- Soares dos Reis
- J. J. Pinto
- BPI (Digitalização)

Torre da Lagariça / "A Illustre Casa de Ramires". (S. Cipriano, Resende)

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Torre da Lagariça. Cliché de A. Cochofel em 1927
                               
Já a abordamos, inúmeras vezes ao longo dos anos, na página do facebook, devido ao seu valor histórico e literário (por muito que tentem, é impossível excluí-la do Circuito Queiroziano) no entanto não sendo um item desaparecido, pois este imóvel ainda existe e resiste, nunca lhe dedicamos uma publicação neste espaço. 
Por a acharmos mais que merecedora, tal será feito agora, englobando a mesma na nossa secção de "Retratos do Passado".
Torre da Lagariça - "A Illustre Casa de Ramires"
 "A Illustre Casa de Ramires" no seu contexto real, fora do imaginário de Eça
Localizada na Freguesia de S. Cipriano, no Concelho de Resende, data da primeira metade do século XII a edificação da Torre da Lagariça, um sólido torreão militar de planta quadrada, que ficaria imortalizado na obra de Eça de Queiroz, "A Illustre Casa de Ramires"
O acesso a este imóvel pode ser feito pela E.N. 222 (ao km 95,5, e a 100 m, por caminho rural).
A fundação da torre teria como primeiro objectivo a defesa da linha do Douro na época da reconquista Cristã, servindo de torre de atalaia, mas a sua função militar perdeu significado com o estabelecimento das fronteiras mais a norte. Como tal, no século XVI a torre seria adquirida pela Brasonada família Pinto, senhores da Torre da Chã e do Paço de Covelas, e em 1610 voltaria a ser vendida, desta vez à família Cochofel, a qual é sua proprietária. 
Deverá datar do início do século XVII a adaptação da torre medieval para habitação senhorial, sendo então edificado um corpo de planimetria em L em volta do núcleo original, integrando-o num dos extremos da casa. O corpo do solar divide-se por três registos distintos e as fachadas são marcadas pela disposição de portas e janelas, de molduras rectangulares, tendo sido construída uma varanda alpendrada no piso superior na fachada principal. A torre não foi alterada, mantendo a planimetria original e as feições das suas fachadas, que se destacam pelo reduzido número de fenestrações.  
Actualmente está classificada como IIP  (Imóvel de Interesse Público).
Torre da Lagariça em S. Cipriano, Resende
“A torre, antiquíssima, quadrada e negra, sobre os limoeiros do pomar que em redor cresceram, com uma pouca de hera num cunhal rachado, as fundas frestas gradeadas de ferro, as ameias e a miradoura bem cortadas no azul de Junho, robusta sobrevivência do Paço acastelado da falada Honra de Santa Ireneia solar dos Mendes Ramires desde os meados do século X."
Eça de Queirós c. 1882
“A sala de jantar da Torre, que abria por três portas envidraçadas para uma funda varanda alpendrada, conservava, do tempo do avô Damião … dois formosos panos de Arrás representando a «Expedição dos Argonautas». Louças da Índia e Japão, desirmanadas e preciosas, recheavam um imenso armário de mogno. E sobre o mármore dos aparadores rebrilhavam os restos, ainda ricos, das pratas famosas dos Ramires que o Bento constantemente areava e polia com amor… almoçava e jantava na varanda luminosa e fresca, bem esteirada, revestida até meio muro por finos azulejos do séc. XVIII, e oferecendo a um canto, para as preguiças do charuto, um profundo canapé de palhinha com almofadas de damasco.”
Torre da Lagariça em S. Cipriano, Resende. Vista geral da "Illustre Casa de Ramires"
“Por baixo da Torre (como lhe contara o papá) ainda negrejava a masmorra feudal, meio atulhada, mas com restos de correntes chumbadas aos pilares, e na abóbada a argola donde pendia o polé, e no lajedo os buracos em que se escorava o potro. E, nessa surda e húmida cova, ovençal, bufarinheiro, clérigos e mesmo burgueses de foro uivavam sob o açoite ou no torniquete, até largarem, agonizado, o derradeiro morabitino. Ah! A romântica torre, cantada tão meigamente ao luar pelo Videirinha, quantos tormentos abafara!...”

“E como o visconde aludia ao desejo, já nele antigo, de admirara de perto a famosa Torre, mais velha que Portugal – ambos desceram ao pomar. O visconde, com o guarda sol ao ombro, pasmou em silêncio para a Torre; reconheceu (apesar de liberal) o prestígio que resulta de uma tão alta linhagem como a dos Ramires…”

- In A Ilustre Casa de Ramires, Eça de Queiroz

Bibliografia e Fontes:
"Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses", Lisboa, 1948, ALMEIDA,  João de
 DGPC
Imagens:
- A. Cochofel
- Autor desconhecido
- Emílio Biel
- BPI (digitalização)

Escola Primária de Cedofeita. (Porto)

domingo, 2 de novembro de 2014

Escola Primária de Cedofeita (demolida)
O edifício onde funcionou a Escola Primária de Cedofeita, localizava-se no espaço compreendido entre a velha igreja românica de Cedofeita e o edifício, onde por muitos anos funcionou a Faculdade de Farmácia. A escola era um grande e sólido edifício em granito, composto por cave, rés-do-chão e 1.º andar.
 Igreja de Cedofeita , vendo-se a demolida escola, em segundo plano
 A escola em segundo plano, na esquerda da imagem. Na direita a Faculdade de Farmácia
As imagens traduzem algo que contraria o senso comum. Apesar das grandes obras de restauro realizadas pelo Estado Novo, na recuperação da igreja românica, nos anos 30, tenham tido dimensões surpreendentes no local, não foram as causadoras do derrube da escola, que como muitos habitantes desta zona sabem, funcionaria ainda na década de 50. A explicação para a demolição do edifício está relacionada com o Plano Auzelle, que incluía a reestruturação dos edifícios do Ensino Primário (obviamente com a total demolição de alguns). A isto, talvez não seja demais somar o interesse e a grande necessidade que havia em alargar as ruas envolventes a este edifício.
 Vista geral da igreja. Em segundo plano vemos a escola e a faculdade

Imagens:
- AMP
- BMP