Avenida da Boavista e Praça Gonçalves Zarco, nos anos 50. (Porto)

sábado, 29 de dezembro de 2012

Imagens de grande dimensão, clique para as ampliar
Dos arquivos da Fotografia Alvão, dois magníficos clichés, que nos permitem visualizar, numa perspectiva aérea, o aspecto que possuía nos inícios dos anos 50 do séc. XX a avenida da Boavista, na zona (aproximadamente) compreendida entre a conhecida avenida Marechal Gomes da Costa e a praça Gonçalves Zarco, mais conhecida por "rotunda do Castelo do Queijo". 
São visíveis inúmeros pormenores como (na imagem de cima) o campo de futebol do Foz, o monte das alminhas ou a antiga escola primária. A avenida da Boavista possuía árvores no seu separador central. 
O aglomerado de viaturas perceptível na fotografia de baixo, que enquadra a praça Gonçalves Zarco é facilmente explicável, tendo em conta que a mesma teria sido obtida durante a durante a realização do Grande Prémio de Portugal, em 1950. O Porto de Leixões e a praia de Matosinhos aparecem em ambas as imagens.

Capela ou "antiga Igreja" do Senhor do Bonfim. (Porto)

A capela ou antiga igreja do Senhor do Bonfim, com o aspecto que possuía por volta de 1862.
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No local actualmente ocupado pela igreja paroquial do Bonfimdedicada ao Senhor do Bonfim e da Boa - Morte, existia já uma capela desde 1786
A igreja que actualmente conhecemos foi construída por causa da inaptidão da sua antecessora, numa freguesia onde a população aumentava, tornando-se necessário construir uma igreja de maiores dimensões que respondesse ao número crescente de crentes.
 Capela do Senhor do Bonfim, vista do cemitério - Frederick William Flower
O mesmo cliché, obtido a partir do cemitério
Pelo que apuramos a  capela que vemos nestas imagens seria já uma segunda capela, maior que a primitiva. A escadaria actual em granito teria sido construída entre 1805 e 1813, quando já existia esta mesma segunda capela. 
Gravura publicada no "Archivo Pittoresco" no ano de 1862
A capela ou "antiga igreja" visível nas imagens de cima, foi demolida e substituída pelo templo actual, começado a construir em 1874 e concluído em 1902.
A igreja «nova» do Bonfim (em baixo) numa imagem de 1910. 
As aparentes semelhanças com a sua antecessora, são ilusórias
Igreja do Bonfim, BPI


Imagens: 
- Casa Alvão
- Frederick William Flower
- Archivo Pittoresco
- Edições Alberto Ferreira
- AMP

Mirandela - Cheia do rio Tua em 1909.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Mirandela em Dezembro de 1909. O rio Tua iria atingir uma cota assustadora, galgando margens e derrubando a então única ponte.
Efeitos da cheia de 1909, BPI
Após muita pesquisa bibliográfica concordo plenamente com quem afirma que a data de construção da antiquíssima ponte é muito difícil de determinar, mas será dois séculos depois das muralhas mandadas construir por D. Dinis, ou seja, em fins do século XV ou inícios do século XVI; em 1514 andava em construção e, pelo menos, em 1536 estava concluída; Ernesto de Sales discorda da opinião de Cunha Leal que afirmou que o imperador romano Trajano mandou construir a ponte de Mirandela, alegando que D. Dinis nunca se referiu a ela e que em Mirandela nunca passou qualquer via romana militar, entre outros argumentos.
Na cheia de 23 de Dezembro de 1909, a força das águas derrubou a ponte num lanço que abrangia o 4º, o 5º, o 6º e o 7º arcos a contar da  margem direita. Na revista a «Illustração Transmontana» (nº 1 do ano de 1910) foram publicadas cinco fotogravuras do evento. A comunicação entre as duas margens passou a ser efectuada com um cestos de vaivém, o que custou a vida a duas pessoas de Golfeiras posteriormente construiu-se um tabuleiro provisório de madeira. A reconstrução dos arcos da ponte foi adjudicada a Manuel Domingues.
A ponte em 1886, tinha 20 arcos bem visíveis mas, segundo Pinho Leal, chegou a ter 22 arcos; de 1866 a Dezembro de 1909 tinha somente 19 arcos porque o 20º, do lado da vila, estava soterrado; em 1910 foram construídos 2 arcos para substituir os 4 arcos que foram destruídos na cheia de 23 de Dezembro; mediam originalmente 267,30 m, segundo o Padre Eusébio Esteves Dias e antes da cheia de 1909 media 228,5 metros; a largura média do leito da ponte antes das obras de modificação de 1876-1878 variava entre 4,8 metros e 5,3 metros; os arcos estão repletos de siglas que ajudavam o trabalho dos pedreiros.


Bibliografia:
- CMM
- BMP


Porto - Cheias do rio Douro em 1860 e 1909.

Nas duas primeiras imagens que se seguem, vemos o efeito da grande cheia do Douro ocorrida em 1860.
Clique nas imagens para as ampliar
Embora de enormes proporção (observemos o nível da água perto do tabuleiro da extinta ponte Pênsil) o facto é que, a catastrófica cheia de 1860, ficou cerca de um metro abaixo da cheia do Douro, que viria a ocorrer em 1909.
Nas imagens de baixo podemos visualizar o efeito impressionante da grade cheia ocorrida em Dezembro de 1909. Aconselhamos o nosso estimado leitor a "clicar" sobre as fotografias, de modo a ampliar as mesmas.


Na Madrugada de 21 de Dezembro detectou-se uma subida do rio, fora do normal. No Cais dos Guindais, no Porto, onde os rabelos descarregavam os produtos agrícolas vindos do Alto-Douro, estava tudo inundado. As balanças e os guindastes para o descarregamento das mercadorias, tinham só a parte superior de fora.
Durante a tarde afundam-se duas barcaças no lado de Gaia, com elas desaparecem os carregamentos que traziam toros de pinheiro e de carvão. A chuva continuava a cair com intensidade, sem parar. A maré subia e invadia com suas águas os estabelecimentos comerciais e habitações das zonas ribeirinhas do Porto e de Gaia.
Em Gaia mais 11 barcas de carga eram arrastadas pela corrente, acabando por se despedaçarem contra os vapores fundeados no Cais do Cavaco.
Na manhã do dia 22, o mercado ribeirinho da Gaia «fugira» para a Rua Direita. No Porto, a Praça da Ribeira estava meia encoberta de água.
Entretanto, da Régua chegava um telegrama nada animador, que informava que o Douro continuava a crescer. Nesse dia perderam-se mais de 60 barcas de carga, a maior parte foi barra fora. Uma delas, carregada de toros de pinheiro, engatou à passagem nos cabos que seguravam o iate inglês "Ceylon" e levá-lo-ia até à desgraça, não fora a intervenção corajosa de alguns pescadores da Afurada.
Ao fim do dia, no Porto, a Praça da Ribeira, estava submersa. Na noite desse sinistro dia 22 de Dezembro, o céu estava negro, o vento sul soprava demolidor, as águas corriam fortes e barrentas. A medição da velocidade do caudal registava as 11 milhas horárias, entretanto um novo telegrama chegava da Régua, o qual dizia que as águas continuavam a subir, sem parar.
Cheia do Douro em Dezembro de 1909. Praça da Ribeira. Cliché Alvão
Praça da Ribeira

Às primeiras horas do dia 23, o rio galgava o Muro dos Bacalhoeiros, no Porto. O pânico estava instalado entre os moradores das duas margens do Douro. A força das águas arrastou tudo, a Foz parecia um cemitério de restos de embarcações.
Ao meio-dia, com a preia-mar, o nível do rio estava a cerca de 80 centímetros do tabuleiro inferior da ponte Luís I. È programada a demolição deste com explosivos. Está batido em um metro o recorde das cheias de 1860.
Os episódios trágicos multiplicam-se. No início da tarde, perante os olhares atónitos dos milhares de pessoas que se encontravam nas margens, um pequeno bote faz a sua descida para a morte — no interior apenas um vulto, o de um homem, vindo sabe-se lá donde, de joelhos, as mãos postas a bradar a Deus e aos homens que o salvem. Num repente, defronte da Alfândega, a embarcação vira-se e é engolida, desaparecendo para nunca mais ser vista.
Em Gaia, um comerciante, proprietário de muitas barcas afundadas, enlouquece e dá entrada no Hospital do Conde de Ferreira. As notícias da época falam de suicídios, gente que ficou na miséria e desesperou.
Ao anoitecer do dia 23, a chuva e o vento abrandam.
Na manhã do dia 24 a cheia retrocede. No dia 25 o Sol brilha radioso. Podia-se enfim, dar atenção ao Natal e aos desafortunados moradores ribeirinhos que tinham ficado sem lar.
Cheia do Douro em Dezembro de 1909. Alfândega. Cliché Alvão

Mais ou menos antigas, as cheias sempre foram uma tragédia

Cheia no Douro - Vista geral



Fonte parcial: 
- Junta de Freguesia de Santa Marinha
- BPI,  Edições da "Tabacaria Cubana"
- Joshua Benoliel
- Alvão
- AMP

Ponte de Remondes. (Remondes, Mogadouro)

terça-feira, 27 de novembro de 2012


Consultando o "Guia de Portugal" da Fundação Gulbenkian, podemos ler o que Sant'Anna Dionísio refere em relação à freguesia de Remondes.
Citamos: 
«Do lado de cá, no invisível alto do monte que estamos a contornar, oculta-se a aldeia velha de Remondes, no caminho antigo de Chacim e Castro Vicente para Mogadouro, muito mais directo mas também muito mais íngreme. Atingimos a vertente imediata do Sabor. Por momentos, domina-se perfeitamente a perspectiva declivosa do vale profundo, destacando-se ao longo do rio, na margem direita, a serpentina polida da estrada que segue pelas alturas de Izeda, para Bragança. Transpõe-se por fim o rio Sabor, sobre a longa e robusta ponte de Remondes.»
A ponte de Remondes entre Mogadouro e Macedo de Cavaleiros, teria sido construída em 1678, sendo obra da nobre família dos Távoras.
A ponte de Remondes compõe-se por um tabuleiro horizontal assente sobre cinco arcos de volta redonda. Apresenta, entre os arcos, contrafortes com talhamares e talhantes triangulares. Actualmente, (na data em que escrevemos este texto) ainda tem circulação automóvel.
Condenada à submersão pela barragem do Sabor a ponte de Remondes muito em breve será, juntamente com a ponte da Portela e todo um ecossistema único, num dos últimos rios selvagens de Portugal uma memória do passado, "afogada" numa albufeira de água estagnada, como pode ser visto na imagem artística imediatamente em baixo, onde vemos também já a ponte de betão que a vai substituir.



Imagens:
- Profico
António Baptista Cordeiro

Convento de São João de Tarouca. (Tarouca, Viseu)

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Como exemplo de um Monumento Nacional parcialmente recuperado, podemos indicar o Convento de São João de Tarouca. Este Convento localiza-se na encosta da serra de Leomil, sobranceiro ao vale do rio Varosa, na freguesia de São João de Tarouca, concelho de Tarouca, no distrito de Viseu.
Vista do Convento
Inicialmente foi um ermitério mas, em 1152, após a vitória de D. Afonso Henriques sobre os mouros em Trancoso, foi lançada a primeira pedra da igreja conventual cisterciense.
Este Mosteiro foi assim o primeiro em Portugal a adoptar a Regra da Ordem de Cister. Uma inscrição na fachada da igreja data o início da construção de 1152, e uma outra a sua sagração em 1169. O templo medieval possuía cabeceira "ad quadratum", com capelas quadrangulares escalonadas, transepto pouco saliente e três naves abobadadas.
Ruínas do dormitório
No século XVIII o Mosteiro foi alvo de sucessivas ampliações e renovação do mobiliário litúrgico e linguagem artística, como o prova a renovação da fachada, a execução dos azulejos da capela-mor (1718), o cadeiral do coro, que tem a particularidade de possuir nos espaldares representações pintadas de figuras ligadas à Ordem de Cister, ou o órgão, encomendado em 1766. Antes disso, ainda no século XVII, a capela-mor havia sido totalmente reformulada e ampliada para albergar um retábulo de talha dourada.
Entrada da Igreja
A Norte da igreja, em volta do primitivo claustro erguiam-se os edifícios conventuais medievais, sucessivamente acrescentados entre os sécs. XVI e XVIII. Primeiro com um novo pátio claustral, edificado sobre o curso dos dois ribeiros encanados, depois com uma enorme ala, situada a Norte, destinada às celas dos monges.
Nas naves podem admirar-se diversos retábulos de talha dourada e outras belas obras de arte. Assim, perto da entrada observa-se uma imagem de madeira policromada seiscentista de N. Sra. da Piedade e o políptico do século XVI executado por Gaspar Vaz, aludindo a episódios da vida da Virgem e de Cristo.

Numa outra capela lateral está exposto o notável quadro de S. Pedro, uma da sobras-primas da pintura de Quinhentos e que tem sido atribuída a Vasco Fernandes, mais conhecido por Grão Vasco. Várias esculturas em pedra ou madeira ornamentam os diversos retábulos, destacando-se deste conjunto de imaginária sacra as esculturas medievais de S. Gabriel e da Virgem com o Menino. No transepto encontra-se um políptico do século XVII narrando a infância de Cristo. No lado oposto, pode admirar-se uma outra notável pintura quinhentista de Gaspar Vaz, S. Miguel. Aqui encontra-se o grandioso túmulo românico do infante D. Pedro, Conde de Barcelos. Em sólido granito, este túmulo é constituído pela estátua jazente do homenageado, repousando e com um cão a seus pés, símbolo da fidelidade. Uma das faces do túmulo é decorado por uma cena de caçada ao javali, em baixo-relevo. Próximo está o magnífico cadeiral de madeira exótica, obra executada pelo portuense Luís Pereira da Costa e pelo barcelense Ambrósio Coelho entre 1729- 1730 e que é, sem dúvida, uma das obras maiores do barroco joanino. O espaldar de talha dourada apresenta uma galeria de figuras que pertenceram à Ordem de Cister. Mais acima, adossado à parede, está o exuberante órgão de tubos, obra barroca de Luís Pereira da Costa e que tinha uma curiosa particularidade funcional: quando era tocado, o órgão tinha uma figura que movia o braço para marcar o andamento, ao mesmo tempo que deitava a língua de fora. As paredes da capela-mor são forradas por revestimento azulejar do século XVIII (1718), mostrando episódios alusivos à fundação deste mosteiro cisterciense. O retábulo-mor é uma soberba composição de talha dourada do Barroco Nacional dos inícios de Setecentos.
O Convento foi classificado em 1956 como Monumento Nacional.
O Mosteiro de São João de Tarouca tem vindo a ser objecto, nos últimos anos, de uma intervenção profunda de investigação, conservação e restauro por parte do Ministério da Cultura. Foi adquirida todo a cerca interior e a área em que se implantavam os edifícios conventuais medievais que têm vindo a ser exumados através de intervenção arqueológica.
A intervenção de conservação e restauro permitiu preservar o património integrado no interior da igreja e estabilizar o conjunto de edifícios conventuais dos sécs. XVI a XVIII que se encontram em estado de ruína.

Fontes parciais:
- CMT
- Direcção Regional da Cultura do Norte
- BMP

Convento de São Francisco do Monte. (Viana do Castelo)

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Como outros itens já aqui abordados (ainda) não é um "Monumento Desaparecido", mas será certamente um forte candidato a tal, merecendo assim a nossa atenção.
Convento de São Francisco do Monte localiza-se na freguesia de Santa Maria Maior, concelho e distrito de Viana do Castelo. Este Convento foi fundado no mês de Julho do ano de 1392 por D. Gonçalo Marinho, sendo dessa forma um dos três primeiros conventos da Ordem dos Frades Menores a ser erguido no país, datando dos finais do século XIV.
O Convento sofreu diversas obras de ampliação no decorrer de sua existência, vindo eventualmente a tornar-se um oratório, quando os seus frades foram transferidos para o Convento de Santo António dos Capuchos em 1625.
O Convento posteriormente veio a ser abandonado, talvez em parte devido à sua localização de difícil acesso, tendo sido reedificado a partir de 1751.
Com a extinção das ordens religiosas no país em 1834 e a consequente alienação dos seus bens pelo estado liberal, o convento passou para as mãos da Santa Casa da Misericórdia.
Encontra-se actualmente na posse do Instituto Politécnico de Viana do Castelo desde 2001, tendo o processo de classificação do imóvel sido aberto por um Despacho emitido em 08 de Fevereiro de 2002.
Infelizmente mantém-se em total estado de ruína. Curiosamente no terreiro da entrada principal encontra-se um cruzeiro, classificado como Imóvel de Interesse Público.




Fontes:
-CMVC
-Imagens: Autores desconhecidos

Ponte D. Maria II. (Lagos)

terça-feira, 6 de novembro de 2012


Não é um "Monumento Desaparecido" mas na data em que redijo este texto é, sem dúvida, um monumento em degradação, senão em extinção.
A Ponte D. Maria II foi erigida em data incerta, embora apresente vestígios de construção romana. Mede aproximadamente, 103 metros de comprimento por 9 metros de largura e assenta sobre 12 arcos de meio ponto, com vãos desiguais; está construída em alvenaria de tijolo rebocada, com talhamares piramidais a jusante e montante, e um tabuleiro gradeado em Ferro. Foi referida por Henrique Fernandes Sarrão na sua obra História do Reino do Algarve, escrita por volta de 1600.
A Ponte D. Maria teve obras de conservação em 1618. Teria sido danificada no Terramoto de 1755, foi reconstruída em 1783 pelo Capitão General Conde de Rezende; nesta remodelação, foram adicionados dois patamares com bancos, e uma lápide comemorativa. Em Novembro de 1805, 3 arcos foram destruídos numa cheia, tendo as reparações durado até 1807. Sofreu obras de renovação entre 1958 e 1960, tendo a placa comemorativa sido removida e guardada no Museu Dr. José Formosinho.
Desde Fevereiro de 2012 que a ponte rodoviária D. Maria II, um dos principais acessos à cidade de Lagos, está interdita ao trânsito automóvel e pedonal  por apresentar "risco de colapso iminente".

Fontes parciais:
PAULA, Rui Mendes. Lagos: Evolução Urbana e Património. Vila Real de Santo António: Câmara Municipal de Lagos, 1992. 392 p.

Monumento aos mortos da Grande Guerra. (Porto)

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

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Quem actualmente passa pela Praça de Carlos Alberto, na cidade do Porto, não pode deixar de reparar no Monumento aos mortos da Grande Guerra, obra do arquitecto Manuel Marques e do escultor Henrique Moreira em 1928 e que é também por muitos chamada de "Estátua ao soldado desconhecido".
No entanto o monumento que lá se encontra não é o original. 
Monumento comemorativo do sacrifício das tropas portuguesas na Grande Guerra
Demolido em 1924
Esse monumento original, que podemos observar na imagem de cima, de autoria do escultor José de Oliveira Ferreira havia sido erigido no mesmo local do actual em 11 de Novembro de 1924 por iniciativa da Junta Patriótica do Norte mas era considerado horrível e foi alvo de inúmeras críticas, o que levou a que Câmara Municipal do Porto ordenasse a sua demolição em 15 de Janeiro de 1925.

Fontes:
-CMP
-BMP

Solar dos Duques de Lafões. (Porto)

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Clique na imagem para a ampliar
Já falamos aqui anteriormente das demolições do casario na zona envolvente à Sé do Porto. Este Solar situava-se no Largo do Corpo da Guarda, pertenceu à família dos Condes de Miranda, Marqueses de Arronches e Duques da Lafões. “Pertenceu ao 1º. Duque de Lafões D. Pedro, filho de um filho ilegítimo de D. Pedro II, que este perfilhou, nascido em 10/1/1718 e falecido em 1761” - Horácio Marçal em O Tripeiro, Série VI, Ano IX.
Largo do Corpo da Guarda, na década de 30, vemos a Sé do Porto em segundo plano
Cliché obtido antes do derrube do casario, para a abertura da Avenida da Ponte 
Na direita da imagem, vemos a casa dos Duques de Lafões
Solar dos Duque de Lafões - Largo do Corpo da Guarda
Vista aérea da Torre dos Clérigos e zona envolvente à Estação de S. Bento. Na direita da imagem, após a Estação, é visível a Rua do Corpo da Guarda e todo o casario que seria derrubado para a abertura da futura "Avenida da Ponte". Notamos também ainda a existência do demolido Solar dos Duques de Lafões
O primeiro teatro da cidade Invicta foi construído justamente nas cavalariças do Solar dos Duques de Lafões e inaugurado em 15 Agosto de 1760 (outros citam a data como sendo 15 de Maio de 1762). O Teatro teria sido desenhado por João Glama Stroeberle.

Fontes:
- AMP
- CMP
- BNP

Quinta dos Salgueiros ou Quinta dos Ingleses. (Antas, Porto)

domingo, 30 de setembro de 2012

A Quinta dos Salgueiros vista a partir do acesso que tinha início na rua de Contumil, as ruínas da Capela "rasgam" o denso arvoredo. Atrás deste denso verde existia então o antigo Estádio das Antas... situava-se este casarão, uma construção do século XVIII, no n.º 341, da rua da Vigorosa.
Imagem da década de 80 da autoria do Administrador, clique para ampliar
No início da segunda metade da década de 80 a imponente casa desta Quinta, estava envolta de arvoredo denso e de um mato (silvas/ moitas) quase impenetrável. Existia um caminho, uma ruela, que ligava a rua de Contumil até à lateral do antigo estádio das Antas, contornando a propriedade e passando mesmo em frente ao portão principal da Quinta. Quem nesse caminho passava (principalmente quem então ainda era criança) tinha a sensação de estar na aldeia devido a vegetação e aromas de flores silvestres que ainda se sentiam (altura da Primavera e Verão). Quem se aventura-se a sair do caminho e atravessar o denso mato tinha acesso a mansão, já na altura devoluta. A casa, enorme, com uma dupla escadaria frontal e duas entradas principais (uma térrea, outra no cimo das escadas) apesar de arruinada tinha um ar imponente e o local era verdadeiramente bucólico possuindo um aspecto "antigo". Frente à fachada da casa, uma antiga fonte (presumo) apresentava-se como um belo obelisco de granito trabalhado, cercado por restos de um antigo jardim com árvores centenárias. A capela anexa, não possuía já vestígios de telhado e quem acedesse a mesma por uma antiga porta lateral constatava que também já tinha desaparecido todo o interior, incluindo o sobrado de madeira que provavelmente dividia a nave da capela do piso de baixo, que presumo ter sido uma cripta... a casa propriamente dita ainda tinha telhado... no seu interior, inúmeras divisões, algumas enormes, com fogões de sala antigos de dimensões impressionantes, uma delas tinha um verdadeiro amontoado de moveis antigos totalmente desprezados, cobertos por pó e a degradarem-se... livros antigos, ferros de passar roupa a carvão, e almanaques datados de finais de 1800, andavam espalhados pelo chão das divisões como se fossem jornais velhos... o acesso vertical interior fazia-se por uma escadaria semi-destruída que conduzia ao piso superior, este também com um corredor com acessos laterais para várias divisões (antigos quartos?) nos quais alguns, tendo o telhado já ruído parcialmente se "espreitava" o céu... Ao fundo desse corredor existia uma janela que dava acesso visual para o interior da capela, na sua parede lateral.
Casa da Quinta de Salgueiros, nos anos 50
A Quinta de Salgueiros, em 1950. Nas imagens de cima, destaque para as fachadas da casa e da capela. Na imagem de baixo, o aspecto geral do jardim e da casa, numa imagem de 1961.
O extinto Estádio das Antas numa vista aérea de (provavelmente) inícios de 1950.
No canto inferior direito da imagem é perfeitamente visível a casa da Quinta de Salgueiros, onde podemos constatar que, já nesta época, a Capela da mesma se encontrava sem telhado.
Em baixo: Duas fotografias obtidas pelo Administrador do Blog, na década de 80. Nesta época, o casarão ainda possuía grande parte do telhado e o "obelisco" da fonte, frente à fachada principal estava inteiro, o interior em estado lastimável aguardava um inevitável colapso. 
A Capela possuía ainda as antigas portas, já sem fechos, que nada protegiam visto da mesma restarem apenas as paredes.
Em baixo: Duas fotografias do mesmo local, mas mais recentes, da autoria de Paulo V. Araújo

A verdadeira Casa Senhorial da Quinta dos Salgueiros nas Antas, quase engolida pelas obras da VCI e do actual Estádio do Dragão, teve um grande passado que é um paradoxo total ao calamitoso estado de ruína em que, aos poucos caiu faz já umas décadas.... 
Esta casa foi a residência de Jacinto de Matos, um dos maiores jardineiros-paisagistas portugueses da primeira metade do século XX, que aí teve as suas estufas e os seus viveiros ao ar livre. No livro Jardins Históricos do Porto (Ed. Inapa, 2001), Teresa Andresen e Teresa Portela Marques identificam alguns dos jardins e parques projectados por Jacinto de Matos em todo o país como o Parque de S. Roque, a Casa das Artes, o jardim da Ordem dos Médicos (à Arca d'Água), o Parque da Curia, o Parque das Pedras Salgadas, os espelhos de água dos jardins da Presidência do Conselho de Ministros entre outros.

Imagens:
- Alexandre Silva
Paulo V. Araújo
- Teofilo Rego