A Antiga Igreja da Lapa. (Cidade do Porto)

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Muita gente que já visitou a belíssima Igreja da Lapa, que fascina pelo seu estilo Neoclássico sabe ou ficou a saber muita coisa sobre a mesma, como a singularidade deste templo residir no facto de nele estar guardado o coração de D. Pedro I, Imperador do Brasil que o doou ao povo portuense como prova de afeição e reconhecimento .
No entanto muita gente desconhece totalmente que o secular templo cuja construção começou em finais do séc. XVIII veio substituir outra Igreja já ali existente.
Erguida no monte de Germalde em Janeiro de 1755 a capela inicial era de pequenas dimensões. Nela era guardada a imagem de Nossa Senhora da Lapa e aqui vinham muitos penitentes sendo este o motivo pelo qual passou a chamar-se Capela de Nossa Senhora da Lapa das Confissões.
Capela da Lapa
Colégio e Capela da Lapa ao lado da igreja com o mesmo nome
Colégio e Capela da Lapa. Duas variantes do mesmo cliché
Visita de D. Manuel II ao Porto, em 1908  
Chegada à Igreja da Lapa, onde se encontra guardado o coração que D. Pedro doou ao Porto
Facto interessante e historicamente valioso é que a fachada da antiga Capela AINDA EXISTE actualmente, "escondida" e "esquecida" nas traseiras do actual Templo que a faz parecer minúscula. A nave da antiga Capela encurralada entre as traseiras da Igreja e o Cemitério da Lapa está transformada num rudimentar recinto de futebol.
Em cima a Fachada da Capela da Lapa, em baixo a sua antiga nave interior convertida num tosco "estádio"
Interior da antiga Capela da Lapa. Na esquerda o muro de granito que suporta o morro do Cemitério, na direita a parede das traseiras da "nova" Igreja da Lapa.
 Templo Nossa Senhora da Lapa, visto do Quartel e faltando-lhe ainda uma das torres sineiras.
Em baixo, fachada da Igreja da Lapa como todos a conhecem desde 1863, ano em que finalmente ficou completa.
Fotografia do pergaminho do auto da entrega do coração de Dom Pedro IV à cidade do Porto
Vista exterior da igreja da Lapa, tirada do Hospital da Ordem da Lapa, vendo-se pessoas na escadaria da igreja
Vista geral da fachada principal da igreja da Lapa actualmente

Imagens:
- Phot.ª Guedes
- DGEMN
- CMP
- Alexandre Silva

A Igreja de Cedofeita. (Cidade do Porto)

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Esta Igreja não "desapareceu"... mas sem dúvida se transformou várias vezes ao longo dos séculos, adquirindo o seu aspecto actual só após 1930.
A Igreja de São Martinho de Cedofeita, ou Igreja de Cedofeita, é considerada a igreja mais antiga da cidade do Porto. Não se sabe quando terá sido construída a igreja original, sendo no entanto pacífica a ideia de que será um resquício da povoação sueva, que se localizava em Cedofeita.
Uma das teorias maioritárias entre os historiadores é a de que terá sido erguida pelo rei suevo Reciário em 446. Outros defendem que foi o rei Teodomiro, também suevo, quem a mandou construir, em 1059, tendo sido baptizado nela conjuntamente com o seu filho Ariamiro.
A acreditar nesta última versão da história, o nome de Cedofeita será uma referência à igreja.
Igreja de Cedofeita com o aspecto que possuía em 1861
Conta a lenda que Teodomiro, desesperado porque não encontrava cura para a doença do Ariamiro, recorreu a São Martinho de Tours, enviando a esta cidade, embaixadores com ofertas de prata e ouro em peso igual ao do seu filho. Acabou por ser o bispo de Braga São Martinho de Dume o portador de uma relíquia de S. Martinho de Tours, perante a exposição da qual o filho do Rei foi curado, e todo o povo suevo presente, convertido ao catolicismo.
Esta relíquia está guardada nesta igreja de Cedofeita, juntamente com outras do evangelizador dos suevos, o bispo de Braga e de Dume. Teodomiro ordenou o início da construção de uma nova igreja em honra do referido santo. O templo foi construído com tal celeridade que se terá dito acerca dele Cito Facta, o que significa Feita Cedo, derivando em Cedofeita.
Igreja de Cedofeita.  Calótipo de Frederick  William Flower, 1849-1859
A igreja foi alvo de sucessivas transformações, adquirindo um traço romântico quando foi erguido no mesmo local o Mosteiro de Cedofeita no início do século XII. Em 1742 o prior D. Luis de Sousa Carvalho ordenou várias modificações, dando-lhe o desenho que hoje vemos. Em 1930/40 a Direcção dos Edifícios e Monumentos Nacionais reconstruiu-a de forma a eliminar alguns elementos ornamentais colocados ao longo dos tempos. Na imagens de baixo: Pormenor da fachada noroeste da igreja de São Martinho de Cedofeita, com o aspecto que possuía antes das obras de recuperação realizadas pelo Estado Novo. Phot.ª Guedes.

Um cliché muito similar
Claustros da Igreja de Cedofeita (demolidos) - Vista exterior
 Claustros da Igreja de Cedofeita (demolidos) - Vista interior
«Egreja de Cedofeita». Outros tempos...
Nas imagens que se seguem, vemos a igreja de S. Martinho de Cedofeita, durante as grandes obras de recuperação decorridas nos anos 30/40 do séc. XX. 


Igreja de S Martinho de Cedofeita - Obras de restauro
Aspecto actual da igreja de Cedofeita


Imagens:
- Arquivo Pitoresco
- Frederick William Flower
- DGEMN
- Phot.ª Guedes 
- Autor desconhecido

A Ponte Velha de Algés.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A fotografias retratam a Ponte Velha sobre a ribeira de Algés, antes desta ter sido encanada por baixo da actual Avenida dos Bombeiros Voluntários.
O edifício com ameias que se vê à direita é o Posto Fiscal.
De acordo com a datação que temos encontrado, respeitante as fotografias que retratam o local, tudo aponta meados de 1900.

A Ponte da Ajuda. (Elvas)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Ponte da Ajuda, Ponte de Nossa Senhora da Ajuda ou ainda Ponte de Olivença é uma ponte cujas ruínas se situam em Portugal, sobre o rio Guadiana. Ligava outrora as localidades portuguesas de Elvas e de Olivença, tendo originalmente sido mandada construir por D. Manuel I, em 19 de Dezembro de 1510, no chamado local de Nossa Senhora da Ajuda.

A Ponte fortificada tinha 380 metros de comprimento e 5,5 metros de largura, com dezanove arcos e um torreão de três pisos a meio. Em 1597, alguns dos arcos centrais desabaram, em consequência de fortes cheias que aumentaram significativamente o caudal do rio Guadiana. Mais tarde, em 1641, após vários Invernos rigorosos causando danos à ponte, esta foi reparada por ordem do general D. João da Costa, que mandou substituir dois dos arcos deficientes por pontes levadiças.
Foi parcialmente destruída pelo exército castelhano durante a Guerra da Restauração, em Setembro de 1646, tendo sido reparada após o fim da guerra. Alguns anos mais tarde, em 1709, durante a Guerra da Sucessão Espanhola, o exército castelhano fez explodir a ponte, destruindo-a mais uma vez parcialmente. A partir dessa altura, a ligação entre Elvas e Olivença passou a ter que ser realizada através de terras espanholas. A ponte permanece em ruínas desde essa data até hoje, não tendo sofrido qualquer restauro.
Em 1967, a ponte da Ajuda foi declarada como monumento de interesse nacional, pelo estado português.

Na cimeira luso-espanhola de 1994, o governo português recusou um empreendimento transfronteiriço de construção de uma nova ponte sobre o rio Guadiana, perto da ponte da Ajuda, chamando a si todos os encargos e responsabilidades de construção dessa futura ponte, evitando assim quaisquer formas de reconhecimento tácito de um traçado de fronteira sobre a linha do Guadiana e qualquer cedência do território de Olivença e correspondente património.
Em 2000, foi inaugurada uma nova ponte, a curta distância da antiga, construída e financiada pelo governo português.

A Ponte Pênsil da Trofa.

A Ponte Pênsil, localizada a Montante da Barca da Trofa, foi inaugurada em 1858. A ponte Pênsil, da responsabilidade da Companhia de Viação do Minho, estava suspensa sobre o rio e apoiava os seus extremos em dois enormes Pegões de granito, de altura até ao nível do pavimento da estrada. Estava suspensa por cordões aramados presos e cabos de suspensão, que tinham os seus extremos nas casas dos portageiros.
Clique nas imagens para as ampliar


Ponte Pênsil da Trofa (1858-1934)
Vista da entrada do tabuleiro, com as torres ameadas


Ponte Pênsil da Trofa (1858-1934). Uma maravilha perdida
Entrada do tabuleiro, ladeada por torres...
A Ponte Pênsil seria demolida em 1934/35, por não reunir as condições de segurança necessárias e por ser demasiado exígua. No entanto deixou a sua presença bem marcada durante mais de meio século, tornando-se, por via da sua elegância e beleza, um verdadeiro “ex-líbris” da região, assim recordada actualmente tanto por trofenses como por Ribeirenses. Em seu lugar iria ser construída a actual ponte de cimento armado, melhor preparada para o intenso tráfego de uma região e um País em desenvolvimento, mas por outro lado, muito inferior à sua antecessora em elegância e beleza.

«Belíssima obra em azulejo ainda existente na Trofa»
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Imagens:
- Alcino Costa
- Autores desconhecidos
- BPI, digitalização
Fontes parciais:
- Câmara Municipal da Trofa
- BNP
Marques, Napoleão Sousa

O Mosteiro de Santa Maria das Júnias. (Montalegre)

sábado, 7 de novembro de 2009

O Mosteiro de Santa Maria das Júnias é um Mosteiro português localizado nos arredores de Pitões das Júnias freguesia de Pitões das Júnias, concelho de Montalegre e Distrito de Vila Real.
O Mosteiro de Santa Maria das Júnias foi classificado como Monumento Nacional pelo Dec. 37728 de 5 de Janeiro 1950.
Este convento teve origem num antigo eremitério de origem pré-româníca que foi fundado no Século IX e cuja implantação obedeceu a critérios de isolamento, o que explica o seu grandioso fundo paisagístico. Encontra-se num vale estreito, de difícil acesso e longe dos caminhos e de lugares habitados.
Em contraste com outros cenóbios do Norte de Portugal, que no geral são possuidores de produtivos coutos, esta primeira comunidade de monges das Júnias dependia da pastorícia, facto que acentuou bastante o seu carácter humilde e ascético.
Este mosteiro e o templo anexo foram erguidos numa data tão antiga que antecede a fundação da nacionalidade portuguesa, durante a primeira metade do século XII.
«Do Mosteiro só sobrevive a Igreja... O Mosteiro própriamente dito está reduzido a ruínas»
No principio foi ocupado por monges beneditinos, o mosteiro passou, em meados do século XIII, a seguir a Regra de Cister, ficado agregado à Abadia de Osseira, na Galiza. No inicio do século XIV, foi submetido a obras de manutenção e melhoramento em que se destaca a construção do claustro e a ampliação da capela-mor.
Ao longo dos séculos, este mosteiro foi enriquecendo com a obtenção de terras na região do
Barroso e na Galiza. No início da Idade Moderna foram realizadas obras de elevação de algumas dependências do convento e da capela-mor do templo, entretanto destruídas pelo assoreamento provocado pelo ribeiro que corre junto à cabeceira do mesmo.
Na primeira metade do século XVIII, a igreja foi restaurada, a nível do madeiramento e do lajeamento, e redecorada com retábulos em talha dourada. A partir de meados de setecentos, este convento começou a entrar em decadência e acabou por perder monges e rendimentos. No ano de 1834, foi, como todos os outros, extinto, passando o seu último monge a exercer a função de pároco de Pitões. Na segunda metade do século XIX, um devastador incêndio levou à ruína muitas das dependências conventuais.
No ano de 1986 a Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais levou a efeito obras de recuperação e melhoramento. Em 1994 e 1995, o Parque Nacional da Peneda-Gerês promoveu uma intervenção arqueológica no claustro e na cozinha conventuais.

Este mosteiro apresenta-se organizado segundo uma planta trapezoidal, encontrando-se a igreja implantada a norte a as dependências conventuais ao sul. O templo tem de nave única e uma capela-mor que é a estrutura mais bem conservada do cenóbio. Na frontaria, românica rematada por uma empena truncada por um campanário setecentista de dois olhais, abre-se um belo portal de arco perfeito, com uma primeira arquivolta lisa e uma segunda, exterior, adornada com lancetas, por sua vez envolvida por um friso com decoração geométrica.
Os ábacos do arco foram decorados por motivos cordiformes, enquanto o tímpano apresenta, ao nível inferior, um dintel decorado com flores estilizadas cruciformes e, por cima deste, uma cruz de Malta vazada, enquadrada por perfurações circulares dispostas em triângulo.
Nas paredes laterais da nave, rasgam-se dois portais simples, de tímpanos vazados por Cruzes de Malta, semelhantes entre si, sendo rematadas por friso e cornija moldurada e percorridos, a meia parede, por um friso adornado com motivos geométricos, sob o qual se projectam mísuias, também estas enfeitadas por elementos geometrizantes. A janela axial da ousia mostra a sobreposição do estilo gótico ao românico inicial.
Numa janela lateral da ousia, voltada a norte, uma curiosa estátua jacente de um monge é interpretada pela população como sendo o marco da cota máxima transbordos do rio ao longo dos séculos.
No interior conserva-se um friso ornamentado que percorre a nave à altura das janelas, O arco triunfal, de duas arquivoltas lisas apoiadas em ábacos boleados, é enquadrado por dois retábulos de talha. Na capela-mor, dispõe-se um retâbulo-mor com uma elaborada composição em talha. As divisões do convento, em grande desmoronadas, compreendem dois corpos, O primeiro paralelo ao riacho, era o dormitório dos monges. O segundo corpo, que se encontra perpendicular ao primeiro, era onde se localizava a cozinha, que ainda mantém a sua chaminé piramidal.
Do claustro românico só se conservam três arcos da galeria encostada à igreja. De volta perfeita, assentam em capitéis com decoração fitomórfica.
À igreja deste convento acontece uma romaria em 15 de Agosto de cada ano a que acorre gente de Pitões das Júnias e de povoações vizinhas. *
«A Igreja. Vista do interior»

* Almeida, Álvaro Duarte de e Belo, Duarte - Património de Portugal.

Ponte Romana submersa no Rio Cabril. (Vila Real/Montalegre/Cabril)

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Ponte sobre o rio Cabril, hoje submersa pela barragem de Salamonde. Segundo informação da população de Cabril tem uma inscrição. Sólida construção em alvenaria de granito, que data do período Medieval. Com apenas um arco de volta perfeita erigido com um cuidado aparelho isódromo, o qual vence um vão com cerca de 2 metros de largura. O tabuleiro eleva-se em cavalete e o arco encontra-se fortemente consolidado nas margens através de dois pegões divergentes. 
O pavimento foi feito com lajes regulares e não possui guardas. Construída sobre a ribeira de Cabril, a maior parte do ano encontra-se submersa, sendo que apenas se observa quando os níveis da água da albufeira de Salamonde descem. Característica do sistema viário Medieval, trata-se certamente da primeira ponte a ser construída sobre a ribeira de Cabril. Estas obras de arte são testemunhos da importância da rede viária em época Medieval.

Nas  fotografias  podemos observar a velhinha ponte a "espreitar" no meio do Rio...
Clique nas imagens para as ampliar





Fontes:
IGESPAR
Fotos net

A Antiga Ponte sobre o Rio Dão. (Santa Comba Dão)

«Antiga fotografia da Ponte sobre o Dão, muitos anos antes da construção da Barragem da Aguieira, quando o Rio Dão era um Rio selvagem e com um nível de água muito menor que o actual»
A Ponte antiga sobre o Rio Dão é uma Ponte de cantaria que foi ampliada em 1935.
Na imagem de cima é bem notória a Capela do Senhor da Ponte no extremo direito da Ponte sobre o Rio Dão. Repare-se desde já que nesta altura ainda não foi feita a reforma da Ponte que lhe dará o aspecto, belo diga-se, que sempre lhe conhecemos e com o qual ficou submergida quando as águas da Aguieira subiram. No cimo do pequeno outeiro, afinal um outeirinho, sobranceiro ao Dão é notória a imponência da Igreja Matriz que de fachada virada a Oeste oferece-nos a parte posterior.
O tabuleiro longo encurvado que assenta em seis arcos de tamanho desigual. Talvez de origem romana e parcialmente destruída aquando das Invasões Francesas por Massena, em 20-09-1810.
Santa Comba Dão - Ponte sobre o rio Dão
Foi reconstruida em 1825, como se verifica de uma memória que reza assim:
"Foi esta ponte cortada em 20 de Setembro de 1810 pela invasão do Exército Frânces commandado por Massena. Foram reedificadas as suas ruínas e de novo feitas estas cortinas dos lados e a estrada e a calçada da parte sul mediante paternal desvelo do excelso Imperador e Rei o senhor D. João VI em 1825 e gastarão-se 3.898$05. Ano DOMINI/MDCCCXXV"
Clique nas imagens para as ampliar. Clichés de autor desconhecido

«Nas duas fotografias (uma em cima outra abaixo) o passado contrasta com o presente!!! A Ponte antiga sobre o Dão, normalmente submersa levanta-se do seu túmulo aquático para se tornar um contrate histórico com a Ponte nova que pode ser vista um pouco acima em segundo plano»
Cliché de autor desconhecido
«Em baixo, a Ponte velha quase submersa... Estado no qual actualmente, praticamente sempre se encontra»
«Imagem de Santa Comba Dão vista da margem do Rio... Actualmente e no tempo da Ponte antiga»
Fontes:
- C. M. Santa Comba Dão
- Voz do Seven
- Elementos remetidos por mail
Imagens:
- BPI (digitalização)
- Autores desconhecidos
- Imagens remetidas por leitores